<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[GAZETA DO ABSURDO | Terminal de Inteligência]]></title><description><![CDATA[Auditoria de lastro e inteligência estratégica para a economia real. O framework MAL 2.0 aplicado aos gargalos físicos que o mercado ignora.]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fwvY!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fda0af4c1-459d-430c-992d-667c9ec898b0_1254x1254.png</url><title>GAZETA DO ABSURDO | Terminal de Inteligência</title><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 15 May 2026 20:46:22 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[agazetadoabsurdo@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[agazetadoabsurdo@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[agazetadoabsurdo@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[agazetadoabsurdo@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[O Padrão Histórico: A Arqueologia Reversa do Poder]]></title><description><![CDATA[O Colonialismo 4.0 n&#227;o &#233; uma amea&#231;a futura; &#233; a arquitetura do Brasil do nosso tempo]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-padrao-historico-a-arqueologia</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-padrao-historico-a-arqueologia</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 14 May 2026 12:27:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a2adc2c8-37c3-455f-9e1d-38c1d4d1d801_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>O Padr&#227;o Hist&#243;rico: A Arqueologia Reversa do Poder</h3><p style="text-align: justify;">O mundo contempor&#226;neo sofre de uma miopia funcional: a incapacidade de enxergar que a mec&#226;nica do poder &#233; imut&#225;vel, mesmo quando o recurso que a sustenta sofre uma muta&#231;&#227;o radical. Ao realizarmos uma esp&#233;cie de <strong>arqueologia reversa da hist&#243;ria</strong>, percebemos que o que chamamos de &#8220;inova&#231;&#227;o&#8221; &#233;, na verdade, a transposi&#231;&#227;o de estruturas de dom&#237;nio consagradas para novos ambientes tecnol&#243;gicos. O erro t&#225;tico mais caro da nossa era &#233; acreditar que o Ciberespa&#231;o opera sob leis in&#233;ditas. Ele n&#227;o opera. Ele apenas reindexou os gargalos.</p><p style="text-align: justify;">Em 1920, a <strong>Standard Oil</strong> n&#227;o era apenas uma empresa de energia; ela era o sistema operacional da civiliza&#231;&#227;o industrial. Ao controlar cerca de 90% do refino e do transporte de petr&#243;leo nos Estados Unidos, John D. Rockefeller n&#227;o possu&#237;a apenas o &#243;leo; ele possu&#237;a o <strong>gargalo</strong>. O petr&#243;leo era o recurso prim&#225;rio que alimentava a mobilidade, a manufatura e a guerra. Quem controlava o fluxo do petr&#243;leo controlava o ritmo do progresso e a viabilidade das na&#231;&#245;es. A fragmenta&#231;&#227;o da Standard Oil pela <em>Sherman Antitrust Act</em> foi uma ilus&#227;o de &#243;tica: o poder n&#227;o foi dissolvido, ele foi apenas distribu&#237;do em uma rede mais resiliente de &#8220;Baby Bells&#8221; energ&#233;ticas que continuaram a ditar as regras do s&#233;culo XX.</p><p style="text-align: justify;">Cento e seis anos depois, em 2026, a <strong>NVIDIA</strong> ocupa exatamente o mesmo nicho ecol&#243;gico na cadeia de poder. Ao deter mais de 95% do mercado de GPUs (Unidades de Processamento Gr&#225;fico) de alta performance e, fundamentalmente, ao controlar a arquitetura <strong>CUDA</strong>, a NVIDIA n&#227;o fabrica apenas chips; ela controla o refino da intelig&#234;ncia. Se o petr&#243;leo era o sangue da ind&#250;stria, o processamento paralelo &#233; o oxig&#234;nio do Ciberespa&#231;o. Sem as GPUs da NVIDIA, a intelig&#234;ncia artificial, a minera&#231;&#227;o de dados e a soberania digital colapsam. A mec&#226;nica &#233; id&#234;ntica: o controle absoluto sobre um componente cr&#237;tico e insubstitu&#237;vel que define quem pode e quem n&#227;o pode operar na nova economia. O recurso mudou do &#225;tomo para o bit, mas a estrutura de <strong>monop&#243;lio de gargalo</strong> permanece intacta.</p><blockquote><p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;A hist&#243;ria n&#227;o se repete, mas ela rima em termos de arquitetura de poder. Onde houver um fluxo essencial para a sobreviv&#234;ncia de um sistema, haver&#225; um arquiteto posicionado para controlar o seu estrangulamento.&#8221;</strong></p></blockquote><div><hr></div><h3>2. Os Minerais do S&#233;culo XX: O Metabolismo da Industrializa&#231;&#227;o</h3><p style="text-align: justify;">Para que a era da Standard Oil e da US Steel existisse, foi necess&#225;rio um metabolismo mineral brutal. A industrializa&#231;&#227;o do s&#233;culo XX n&#227;o foi um fen&#244;meno et&#233;reo de ideias; foi uma constru&#231;&#227;o de <strong>ferro, carv&#227;o, cobre, estanho e borracha</strong>. Estes eram os recursos prim&#225;rios que permitiam a exist&#234;ncia das ferrovias, das redes el&#233;tricas e dos motores a combust&#227;o. Sem a extra&#231;&#227;o massiva desses materiais, a modernidade teria sido apenas um rascunho te&#243;rico.</p><p style="text-align: justify;">O que a historiografia oficial muitas vezes higieniza &#233; a geografia dessa extra&#231;&#227;o. Para que as metr&#243;poles do hemisf&#233;rio norte brilhassem, vastas extens&#245;es de territ&#243;rios em outros continentes precisaram ser convertidas em zonas de sacrif&#237;cio mineral. O fornecimento constante de cobre para a fia&#231;&#227;o el&#233;trica, de estanho para a conserva&#231;&#227;o de alimentos e de borracha para a mobilidade dependia de uma log&#237;stica de captura que operava longe dos olhos do consumidor final. O poder das na&#231;&#245;es industriais era medido pela sua capacidade de garantir o fluxo ininterrupto desses minerais a partir de hubs de explora&#231;&#227;o perif&#233;ricos.</p><p style="text-align: justify;">Houve sempre um continente encarregado de fornecer o lastro f&#237;sico para a fantasia de progresso de outro. No s&#233;culo passado, esse papel foi desempenhado com rigor tr&#225;gico por regi&#245;es que, apesar de ricas em dep&#243;sitos geol&#243;gicos, permaneceram politicamente fr&#225;geis e economicamente dependentes. A riqueza n&#227;o se acumulava na boca da mina, mas no ponto de controle do fluxo &#8212; nas bolsas de mercadorias de Londres e Nova York. O padr&#227;o &#233; claro: a era moderna foi subsidiada por uma extra&#231;&#227;o que nunca foi paga pelo seu valor real, mas sim pelo custo de sua captura operacional.</p><p style="text-align: justify;"></p>
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          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-padrao-historico-a-arqueologia">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O PEDÁGIO DO SILÍCIO: A LIQUIDAÇÃO DA MATÉRIA E A DRENAGEM DA SOBERANIA BRASILEIRA PARA O CIBERESPAÇO]]></title><description><![CDATA[Um manifesto sobre a transfer&#234;ncia de riqueza do subsolo nacional para a infraestrutura de nuvem estrangeira e a ascens&#227;o dos novos tit&#227;s do gargalo]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-pedagio-do-silicio-a-liquidacao</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-pedagio-do-silicio-a-liquidacao</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 13 May 2026 22:54:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b298f2a2-2f23-4256-82a7-a893e89ca46b_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>1. O Sangramento de Caraj&#225;s: O Bilh&#227;o Invis&#237;vel</h3><p style="text-align: justify;">A Vale S.A. &#233; um gigante de ferro com p&#233;s de sil&#237;cio alugado. Enquanto as escavadeiras rasgam o solo de Caraj&#225;s para extrair a mat&#233;ria-prima que sustenta a infraestrutura f&#237;sica do planeta, uma hemorragia silenciosa ocorre nos balan&#231;os financeiros da companhia. A not&#237;cia n&#227;o ocupa as manchetes sobre dividendos, mas deveria: a Vale gasta, anualmente, entre US$ 150 milh&#245;es e US$ 200 milh&#245;es apenas com servi&#231;os de nuvem da Amazon Web Services (AWS).<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a></p><p style="text-align: justify;">Em moeda nacional, estamos falando de aproximadamente R$ 1 bilh&#227;o por ano. Este valor n&#227;o representa apenas uma despesa operacional de tecnologia da informa&#231;&#227;o; ele &#233; o carimbo definitivo da nossa irrelev&#226;ncia estrat&#233;gica na nova ordem mundial.</p><p style="text-align: justify;">O dado &#233; brutal em sua simplicidade e devastador em sua implica&#231;&#227;o. Ao longo de um ciclo de sete anos, entre 2020 e 2026, a Vale ter&#225; transferido cerca de R$ 7 bilh&#245;es para os cofres de Seattle. Ao final deste per&#237;odo, a maior mineradora do Brasil e uma das maiores do mundo n&#227;o possuir&#225; um &#250;nico servidor, um &#250;nico cabo de fibra &#243;ptica ou um &#250;nico tijolo de data center que possa chamar de seu. Ela ter&#225; pago o equivalente a uma fortuna imperial para, ao final do contrato, ter exatamente zero ativos tang&#237;veis em sua infraestrutura digital. </p><p style="text-align: justify;">O que a Vale opera n&#227;o &#233; uma estrat&#233;gia de TI, mas um regime de servid&#227;o digital onde o lucro do min&#233;rio &#233; convertido em ped&#225;gio para o Ciberespa&#231;o.</p><p style="text-align: justify;">Esta transfer&#234;ncia de riqueza do subsolo brasileiro para o datacenter estrangeiro &#233; a forma mais pura de colonialismo contempor&#226;neo. No s&#233;culo XX, export&#225;vamos min&#233;rio para importar a&#231;o; no s&#233;culo XXI, exportamos min&#233;rio para importar processamento de dados sobre o pr&#243;prio min&#233;rio. </p><p style="text-align: justify;">O valor que a Vale gera ao otimizar sua log&#237;stica, ao monitorar suas barragens com sensores de IoT ou ao processar modelos de intelig&#234;ncia artificial para explora&#231;&#227;o mineral &#233; imediatamente capturado pela infraestrutura que hospeda esses dados. O Brasil continua na ponta extratora da cadeia, fornecendo o lastro f&#237;sico para que outros controlem a intelig&#234;ncia do fluxo. O bilh&#227;o de reais que sai da Vale todo ano &#233; o pre&#231;o que pagamos por acreditar que a nuvem &#233; um lugar et&#233;reo, quando, na verdade, ela &#233; o territ&#243;rio mais disputado e concreto da geopol&#237;tica atual.</p><div><hr></div><h2>A Anatomia da Depend&#234;ncia: Onde o Valor se Dissolve</h2><p style="text-align: justify;">Para compreender a profundidade deste abismo, &#233; necess&#225;rio dissecar para onde vai o dinheiro. A estimativa t&#233;cnica aponta que 40% desse gasto, cerca de US$ 70 milh&#245;es anuais, &#233; destinado puramente ao poder de processamento (Compute). Outros 25% s&#227;o consumidos pelo armazenamento de dados (Storage), enquanto o restante se divide entre bancos de dados, intelig&#234;ncia artificial e transfer&#234;ncia de dados. Cada um desses percentuais representa uma ren&#250;ncia de soberania. Quando uma empresa do porte da Vale gasta US$ 70 milh&#245;es por ano apenas para &#8220;alugar&#8221; processadores, ela est&#225; admitindo que n&#227;o tem a capacidade &#8212; ou a coragem &#8212; de possuir o hardware que executa sua pr&#243;pria intelig&#234;ncia de neg&#243;cio.</p><p style="text-align: justify;">O armazenamento de dados, que consome US$ 44 milh&#245;es anuais, &#233; talvez o ponto mais cr&#237;tico dessa anatomia. Os dados de explora&#231;&#227;o mineral, os mapas geol&#243;gicos e os algoritmos de produtividade da Vale s&#227;o o seu ativo mais valioso depois das reservas de min&#233;rio. No entanto, esses dados residem em discos r&#237;gidos que pertencem a uma entidade estrangeira, sujeitos a jurisdi&#231;&#245;es externas e a termos de servi&#231;o que podem ser alterados unilateralmente. A Vale paga para que a AWS guarde seus segredos industriais, criando um lock-in de plataforma t&#227;o profundo que a migra&#231;&#227;o para qualquer outra solu&#231;&#227;o se torna financeiramente proibitiva e tecnicamente suicida. O dado est&#225; preso no gargalo da Amazon, e o custo de sa&#237;da &#233; a pr&#243;pria paralisia da opera&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">A aloca&#231;&#227;o de 10% do or&#231;amento em IA/ML e IoT revela a face mais ir&#244;nica dessa depend&#234;ncia. </p><p style="text-align: justify;">A Vale utiliza a nuvem para se tornar &#8220;mais inteligente&#8221;, mas essa intelig&#234;ncia &#233; constru&#237;da sobre ferramentas propriet&#225;rias da AWS. Cada modelo de aprendizado de m&#225;quina treinado com os dados da mineradora brasileira ajuda a aperfei&#231;oar os algoritmos da pr&#243;pria Amazon, que ent&#227;o vende essa mesma intelig&#234;ncia para os concorrentes da Vale globalmente. &#201; um ciclo de retroalimenta&#231;&#227;o onde o cliente financia a evolu&#231;&#227;o tecnol&#243;gica do fornecedor, que por sua vez utiliza essa evolu&#231;&#227;o para aumentar o poder de barganha e o pre&#231;o do ped&#225;gio. O Brasil fornece o laborat&#243;rio e o financiamento; a AWS fica com a patente e o controle.</p><div><hr></div><h2>A Hierarquia do Gargalo: Quem Realmente Governa o Fluxo</h2><p style="text-align: justify;">O caso Vale/AWS n&#227;o &#233; um evento isolado, mas o sintoma de uma reconfigura&#231;&#227;o global do poder. </p><p style="text-align: justify;">No s&#233;culo XX, os tit&#227;s eram aqueles que controlavam a energia e a mat&#233;ria: Standard Oil, Exxon, Shell. O gargalo era o fluxo de mobilidade f&#237;sica. Quem controlava o petr&#243;leo controlava a capacidade do mundo de se mover e produzir. Hoje, vivemos a ascens&#227;o dos Tit&#227;s do Ciberespa&#231;o, onde o poder n&#227;o reside na posse da commodity, mas no controle do gargalo tecnol&#243;gico. </p><p style="text-align: justify;">A hierarquia &#233; clara e implac&#225;vel: a Vale paga ped&#225;gio para a AWS, que por sua vez &#233; ref&#233;m da NVIDIA para obter as GPUs necess&#225;rias para o processamento de IA. A NVIDIA, por sua vez, depende da TSMC para a fabrica&#231;&#227;o de seus chips, e a TSMC n&#227;o pode operar sem as m&#225;quinas de litografia extrema da ASML. Nesta nova arquitetura, o poder &#233; inversamente proporcional ao volume f&#237;sico. A Vale move milh&#245;es de toneladas de terra para gerar um lucro que &#233; drenado por empresas que movem apenas el&#233;trons e f&#243;tons. O controle sobre um &#250;nico componente ou protocolo &#8212; como a litografia da ASML ou o ecossistema CUDA da NVIDIA &#8212; permite que essas empresas paralisem cadeias inteiras de valor global. Elas s&#227;o os novos senhores do gargalo.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto o Brasil se orgulha de ser o &#8220;celeiro do mundo&#8221; ou o &#8220;porto do min&#233;rio&#8221;, ele ignora que o valor real est&#225; sendo capturado por quem controla a capacidade de processamento. O dado &#233;, de fato, o novo petr&#243;leo, mas n&#227;o no sentido de ser um combust&#237;vel abundante; ele &#233; o novo petr&#243;leo porque sua extra&#231;&#227;o e refino dependem de um cartel tecnol&#243;gico muito mais fechado e sofisticado do que a OPEP jamais foi. </p><p style="text-align: justify;">O lock-in de plataforma &#233; a nova forma de soberania. Quando a AWS det&#233;m a infraestrutura da Vale, ela det&#233;m, na pr&#225;tica, o poder de veto sobre a efici&#234;ncia da mineradora. Se o acesso &#224; nuvem for interrompido por raz&#245;es geopol&#237;ticas ou disputas comerciais, a Vale volta &#224; era anal&#243;gica em quest&#227;o de horas. A soberania nacional, antes medida por fronteiras terrestres e poderio militar, agora &#233; medida pela autonomia sobre o pr&#243;prio stack tecnol&#243;gico. O Brasil, ao permitir que suas maiores empresas operem em regime de aluguel perp&#233;tuo de infraestrutura b&#225;sica, est&#225; terceirizando seu destino econ&#244;mico. Estamos construindo uma economia de periferia digital, onde fornecemos o esfor&#231;o bruto e pagamos tributo para acessar a intelig&#234;ncia que n&#243;s mesmos geramos.</p><p style="text-align: justify;">---</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;"><strong>**Voc&#234; chegou at&#233; aqui porque entendeu o problema. Agora precisa entender por qu&#234; ningu&#233;m no Brasil faz diferente.**</strong></p><p style="text-align: justify;">A resposta n&#227;o &#233; burrice gerencial. &#201; engenharia institucional. E essa engenharia est&#225; documentada nos balan&#231;os de todas as grandes corpora&#231;&#245;es brasileiras.</p><p>Assine para ler como funciona o mecanismo que for&#231;a essa escolha &#8212; e por que &#233; racional abandonar a soberania quando o custo de capital do seu pa&#237;s &#233; o maior do planeta.</p></div><h2><strong>O Custo da Covardia Estrat&#233;gica: Aluguel vs. Soberania</strong></h2>
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          </a>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Declamador e o Pajador ]]></title><description><![CDATA[Conto 1 &#8212; O Declamador]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-declamador-e-o-pajador</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-declamador-e-o-pajador</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 08 May 2026 12:02:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/53136a7f-743d-439e-8805-097893b4641a_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Naquela noite, o galp&#227;o estava cheio.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o era a primeira vez que Pedro subia naquele palco &#8212; nem na d&#233;cima nem na vig&#233;sima. Conhecia o cheiro daquela madeira, o rangido do assoalho sob a bombacha, a luz amarela que vinha de cima e n&#227;o iluminava bem nada, mas criava uma esp&#233;cie de c&#237;rculo onde o mundo parava. Conhecia tamb&#233;m aquele sil&#234;ncio espec&#237;fico que antecede a voz &#8212; n&#227;o o sil&#234;ncio de quem espera, mas o de quem j&#225; entregou. J&#225; estava l&#225; antes de come&#231;ar.</p><p style="text-align: justify;">Come&#231;ou com a serenidade de quem n&#227;o sobe para se mostrar, mas para cumprir uma obriga&#231;&#227;o antiga como um fatalismo tel&#250;rico. E quando o galp&#227;o enfim se aquietou por inteiro &#8212; aquele tipo de quietude que n&#227;o pede distra&#231;&#227;o, pede verdade &#8212; Pedro ergueu um pouco o queixo e deixou o verso vir:</p><blockquote><p><strong>Eu nasci ga&#250;cho na beira do rio,<br>sou raiz da terra, templado no frio.<br>Sou gente e sou bicho,<br>sou heran&#231;a farrapa,<br>mem&#243;ria que resiste,<br>presen&#231;a que n&#227;o se apaga.</strong></p><p><strong>Sou ferro que canta,<br>sou l&#226;mina que fala,<br>sou verso em estrofe<br>qual Hoplita em batalha.</strong></p><p><strong>Fui Bento Gon&#231;alves,<br>clarim da alvorada.<br>Fui fogo insurgente<br>rompendo a jornada.<br>Davi Canabarro<br>ainda ressoa em mim;<br>Souza Neto me ergue<br>ao toque do clarim.</strong></p><p><strong>Fui lanceiro negro, chefe guarani,<br>ga&#250;cho campeiro, fui Piratini.<br>Trago nas retinas luz de porde&#231;&#243;is,<br>sou neto de deuses, sou filho de her&#243;is.</strong></p><p><strong>Fabriquei lanch&#245;es nalgum arrabalde,<br>nas ondas do mar, tamb&#233;m fui Garibaldi.<br>Fui mulher ga&#250;cha de alma bendita,<br>enfrentei mil rigores &#8212; me chamaram Anita.</strong></p><p><strong>Sou canto de guerra e quer&#234;ncia,<br>sou verso forjado em resist&#234;ncia.</strong></p><p><strong>Cultuo os que tombaram<br>nas margens do fim do mundo,<br>e em cada verso com sangue<br>os entrego ao futuro.</strong></p><p><strong>Para quem pensa que morri,<br>igual Jesus numa coxilha,<br>ressuscito todos os anos<br>na Semana Farroupilha.<br>E desfilo bem a cavalo<br>com gl&#243;rias que relembro,<br>e hasteio um hino de p&#225;tria<br>a cada vinte de setembro.</strong></p><p><strong>Sou mistura de uma estirpe<br>rara, antiga e aguerrida.<br>E enquanto houver um ga&#250;cho<br>de p&#233; nesta fronteira,<br>haver&#225; brasa, canto e clar&#227;o &#8212;<br>pois o que carrego no sangue<br>tamb&#233;m pertence aos que vir&#227;o.</strong></p></blockquote><div><hr></div><p style="text-align: justify;">O galp&#227;o n&#227;o se mexeu. Pedro ficou um instante com o microfone abaixado, deixando o verso trabalhar sozinho, como quem sabe que a palavra, quando vem certa, n&#227;o precisa de empurr&#227;o. O sil&#234;ncio que se fez ali, ocupou espado e por um momento suspendeu at&#233; o mate das m&#227;os. Mas n&#227;o era o sil&#234;ncio do fim ou de quem tinha terminado de escutar. Era o de quem havia chegado em algum lugar e ainda n&#227;o sabia como voltar.</p><p style="text-align: justify;">Pedrod n&#227;o agradeceu com gesto largo nem com curvatura ensaiada. Era assim que sempre terminava: sem floreio, sem rever&#234;ncia, sem vontade nenhuma de aparecer mais do que o verso. Baixou os olhos por um segundo, ajeitou o len&#231;o no pesco&#231;o e saiu.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Pedro n&#227;o tinha nascido para aquilo &#8212; ou pelo menos n&#227;o era isso que esperavam dele. Na fam&#237;lia, o que se passava de pai para filho n&#227;o era a palavra, mas a lida; n&#227;o o improviso, mas o of&#237;cio; n&#227;o o canto, mas a continua&#231;&#227;o severa e respeit&#225;vel das coisas &#250;teis. Chegaram a lhe apontar outros rumos: medicina, algum saber de ci&#234;ncia, algum caminho que servisse &#224; terra com m&#233;todo, nome e proveito. Ele at&#233; tentou. N&#227;o por desprezo ao mundo campeiro, que esse trazia no corpo desde antes da fala, mas porque n&#227;o se sentia inteiro apenas herdando o velho of&#237;cio da fam&#237;lia. H&#225; quem diga que foi destino, outros juram que foi dom. O certo &#233; que foi no papel, no verso e na caneta que quase se encontrou &#8212; e, encontrando-se, se fez gente.</p><p style="text-align: justify;">S&#243; no verso sentia que entrava por completo na pr&#243;pria vida. Como se o homem que andava, comia, dormia, estudava, ensinava e cumpria hor&#225;rio fosse apenas um peda&#231;o dele, e o resto s&#243; viesse se juntar quando a palavra acertava o compasso do peito. Talvez por isso levasse a poesia t&#227;o a s&#233;rio: porque entendia, como poucos, que algu&#233;m precisava dizer em voz alta aquilo que o tempo passa a vida tentando apagar. Algu&#233;m precisava cantar para os de depois saberem de onde vieram.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Agradeceu ao organizador com um aperto de m&#227;o, pegou o palet&#243; que tinha deixado numa cadeira e foi embora a p&#233;. Era uma cidade pequena do interior, daquelas em que n&#227;o existe dist&#226;ncia que justifique carro. A rua principal ainda tinha movimento &#8212; casais voltando devagar, crian&#231;as no colo, uma caminhonete passando com gente na carroceria, o cheiro de churrasco que n&#227;o vai embora numa noite s&#243;.</p><p style="text-align: justify;">Ele caminhava com a cabe&#231;a vazia e o corpo leve, daquele jeito bom que &#224;s vezes fica depois do verso certo &#8212; ou como depois do choro, ou depois de repousar nos bra&#231;os de um amor. As palavras ainda lhe vibravam no peito, j&#225; n&#227;o como dever, mas como sossego</p><p style="text-align: justify;">Foi ent&#227;o que a vontade de fumar voltou, h&#225;bito velho, desses que a juventude entrega ao corpo e depois nunca mais recolhe.</p><p style="text-align: justify;">A vontade j&#225; vinha de antes do palco, mas o verso, quando desce inteiro, adia tudo: fome, sede, medo, v&#237;cio, cansa&#231;o. Agora, com o corpo de novo entregue a si mesmo, sentiu falta do pito. A tenta&#231;&#227;o o fez lembrar que na bodega do rodeio vendiam cigarro avulso, e ele pensou nisso com a simplicidade de quem volta a uma car&#234;ncia mi&#250;da depois de ter andado metido em assunto grande.</p><p style="text-align: justify;">Ia talvez at&#233; rir de si mesmo, se algu&#233;m lhe dissesse naquele instante que um homem pode sair de um galp&#227;o levando Bento, Anita, Garibaldi, os lanceiros, os mortos e os vivos na garganta &#8212; e ainda assim ficar se ocupando da ideia mi&#250;da de um cigarro.</p><p style="text-align: justify;">Foi quando viu a moeda, brilhando sob a luz do poste como se esperasse justamente por ele.</p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;">Nada de extraordin&#225;rio: uma moeda comum, virada para cima, dessas que o acaso parece largar bem diante de quem est&#225; precisando exatamente dela. Talvez sorte, talvez azar &#8212; naqueles segundos ainda n&#227;o fazia diferen&#231;a. Para Pedro, a moeda era s&#243; isso: um cigarro poss&#237;vel.</p><p style="text-align: justify;">Olhou de relance para os lados, mais por h&#225;bito do que por cuidado. Depois se abaixou e sorriu.</p><p style="text-align: justify;">O cavalo veio da direita.</p><p style="text-align: justify;">Ele n&#227;o viu. Distraia-se com a moeda pensando no cigarro. S&#243; sentiu &#8212; um impacto seco no lado da cabe&#231;a, quente, violento, com um som que n&#227;o era bem som, mas uma press&#227;o ocupando tudo de uma vez. O mundo perdeu fundo. O ch&#227;o subiu na dire&#231;&#227;o do seu rosto. A moeda ainda estava na m&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Depois, o barulho.</p><p style="text-align: justify;">Depois, o ch&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Depois, nada.</p><div><hr></div><h2><strong>Parte 2 &#8212; A cidade sem poesia</strong></h2><p><strong>O asfalto n&#227;o tem a mem&#243;ria da terra.</strong></p><p style="text-align: justify;">Pedro acordou com o rosto encostado numa superf&#237;cie cinza, lisa e perfeitamente plana, que n&#227;o cheirava a barro, nem a pasto, nem a chuva por vir. Cheirava a uma mat&#233;ria ass&#233;ptica &#8212; como essas misturas qu&#237;micas usadas em consult&#243;rios. Mas n&#227;o era cheiro de rosas nem de lavanda; era uma alquimia diferente de tudo o que j&#225; sentira. O lado esquerdo da cabe&#231;a ainda latejava no compasso bruto do coice.</p><p style="text-align: justify;">Ficou deitado por um tempo que n&#227;o soube medir. O c&#233;u acima dele n&#227;o era cinza nem branco. Era a aus&#234;ncia de decis&#227;o sobre o que ser. Uma cor que n&#227;o era cor &#8212; apenas luminosidade distribu&#237;da de forma igual, sem nuvem, sem sol vis&#237;vel, sem a varia&#231;&#227;o que faz o dia parecer vivo.</p><p style="text-align: justify;">Ao redor, a cidade se erguia em &#226;ngulos retos. N&#227;o havia o horizonte aberto do pampa, n&#227;o havia a linha onde o campo encontra o c&#233;u e os dois concordam em dividir o mundo. Havia prismas de concreto e vidro que se repetiam sem varia&#231;&#227;o, como se um &#250;nico arquiteto tivesse projetado tudo e n&#227;o tivesse permitido que ningu&#233;m sugerisse uma curva. Pedro sentiu o peso da bombacha, o couro das botas que pareciam estranhas naquele lugar &#8212; n&#227;o inadequadas, mas anacr&#244;nicas, como um objeto de outra era que algu&#233;m tivesse esquecido na cal&#231;ada.</p><p style="text-align: justify;">As pessoas passavam.</p><p style="text-align: justify;">Passavam aos montes, em passo firme, medido, sem pressa e sem demora, como se cada uma soubesse exatamente quantos passos devia dar antes de desaparecer na pr&#243;xima esquina. Ningu&#233;m olhava para os lados. Ningu&#233;m olhava para cima. Ningu&#233;m olhava para ele.</p><p style="text-align: justify;">Pedro ficou parado no meio da cal&#231;ada, ainda com o gosto do verso na boca e a pancada do cavalo acesa na cabe&#231;a, tentando entender que esp&#233;cie de lugar era aquele onde at&#233; o ar parecia obedecer.</p><p style="text-align: justify;">Foi ent&#227;o que compreendeu, sem ainda saber o nome do espanto, que n&#227;o havia acordado apenas em outra cidade.</p><p style="text-align: justify;">Havia acordado noutro mundo.</p><div><hr></div><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: center;"><strong>Pedro mal abriu os olhos nesse outro mundo.</strong></p><p style="text-align: center;"><strong>Para seguir com ele pelas pr&#243;ximas ruas da cidade sem poesia, assine a Gazeta do Absurdo e acompanhe os pr&#243;ximos cap&#237;tulos.</strong></p><p style="text-align: center;"></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p style="text-align: center;"></p><p><strong>No pr&#243;ximo cap&#237;tulo:</strong> Pedro descobrir&#225; que aquele lugar n&#227;o tinha eliminado apenas a poesia, mas tudo o que fazia a vida parecer viva.</p></div><p style="text-align: justify;">Por: Omar Albuquerque.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA["Dossiê do Absurdo"  ]]></title><description><![CDATA[ATO I &#8212; O Diagn&#243;stico do Absurdo ATO II &#8212; A Muta&#231;&#227;o da Siderurgia]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/dossie-do-absurdo</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/dossie-do-absurdo</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 May 2026 10:01:56 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1fb021f0-237e-4de3-814b-3e26661ba2a8_1376x768.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Coluna: Arara Azul e Economistas &#8212; duas esp&#233;cies em extin&#231;&#227;o no Brasil</strong></p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">A Arara Azul perdeu o habitat antes de entender que tinha um. O economista brasileiro nunca entendeu que o habitat era a f&#237;sica. Ambos v&#227;o desaparecer pela mesma raz&#227;o: confundiram o mapa com o territ&#243;rio.</p><p style="text-align: justify;">O mapa diz que a intelig&#234;ncia artificial &#233; uma nuvem. O territ&#243;rio &#233; cobre, sil&#237;cio, &#225;gua gelada e energia el&#233;trica cont&#237;nua. E quando o territ&#243;rio n&#227;o aguenta mais o mapa, algu&#233;m paga a diferen&#231;a.</p><p style="text-align: justify;">No Brasil, esse algu&#233;m tem CNPJ industrial, paga tarifa regulada e nunca ouviu falar de PPA.</p><div><hr></div><h2>A f&#237;sica n&#227;o negocia</h2><p style="text-align: justify;">Existe uma colis&#227;o em curso que nenhum analista de crescimento de receita consegue ver numa planilha.</p><p style="text-align: justify;">De um lado: a demanda de processamento da intelig&#234;ncia artificial dobra a cada seis meses. &#201; crescimento exponencial &#8212; a curva que sobe quase na vertical quando voc&#234; olha o gr&#225;fico de perto.</p><p style="text-align: justify;">Do outro: a infraestrutura f&#237;sica que sustenta esse processamento cresce entre 3% e 5% ao ano. &#201; crescimento linear &#8212; a reta quase horizontal que o mercado chama de &#8220;gargalo de curto prazo&#8221; e que os engenheiros chamam de limite f&#237;sico.</p><p style="text-align: justify;">Quando o exponencial colide com o linear, o sistema satura. N&#227;o &#233; uma quest&#227;o de gest&#227;o, de pol&#237;tica monet&#225;ria ou de valuation. &#201; termodin&#226;mica. A f&#237;sica n&#227;o negocia com o consenso de mercado.</p><p style="text-align: justify;">O ciberespa&#231;o n&#227;o &#233; uma nuvem et&#233;rea onde os modelos de linguagem flutuam em paz. &#201; uma camada de abstra&#231;&#227;o sobre uma base composta por transformadores de alta tens&#227;o, racks de metal, sistemas de resfriamento l&#237;quido e megawatts de energia el&#233;trica consumidos vinte e quatro horas por dia, setecentos dias por ano. A nuvem tem peso. A nuvem tem temperatura. A nuvem tem uma conta de luz.</p><p style="text-align: justify;">E essa conta est&#225; chegando &#8212; s&#243; que n&#227;o para quem pediu a nuvem.</p><p style="text-align: justify;">O lead-time global de transformadores de alta pot&#234;ncia est&#225; entre 120 e 150 semanas. Quase tr&#234;s anos. Metade dos data centers planejados para 2026 nos Estados Unidos est&#227;o parados n&#227;o por falta de chip, n&#227;o por falta de capital &#8212; por falta de conex&#227;o com a rede el&#233;trica. O motor da IA tornou-se potente demais para a estrutura que o carrega.</p><p style="text-align: justify;">No Brasil, esse gargalo tem uma camada extra. Tem um mecanismo invis&#237;vel que transforma o privil&#233;gio energ&#233;tico dos hyperscalers em custo socializado para a ind&#250;stria nacional. Tem um nome t&#233;cnico que nenhum economista de Faria Lima pronunciou em p&#250;blico.</p><p style="text-align: justify;">Chama-se despacho termel&#233;trico.</p><div><hr></div><h2>O mecanismo que ningu&#233;m explica</h2><p><strong>Vamos devagar, porque isso importa.</strong></p><p style="text-align: justify;">O Brasil opera um sistema el&#233;trico interligado administrado pelo Operador Nacional do Sistema &#8212; o ONS. O ONS tem a responsabilidade de manter o equil&#237;brio entre oferta e demanda de energia em tempo real, em todo o territ&#243;rio nacional. Quando a demanda sobe al&#233;m do que as fontes mais baratas conseguem entregar, o ONS aciona fontes mais caras para cobrir o gap. &#201; o chamado despacho por ordem de m&#233;rito: primeiro as fontes mais baratas, depois as mais caras, at&#233; fechar a conta.</p><p style="text-align: justify;">No Brasil, as fontes mais baratas s&#227;o as hidrel&#233;tricas. As fontes mais caras s&#227;o as termel&#233;tricas &#8212; g&#225;s natural, &#243;leo combust&#237;vel, carv&#227;o. Um megawatt-hora gerado por hidrel&#233;trica custa, em m&#233;dia, entre R$ 50 e R$ 100 no mercado regulado. Um megawatt-hora gerado por termel&#233;trica a g&#225;s custa entre R$ 300 e R$ 600. A termel&#233;trica a &#243;leo pode passar de R$ 1.000 por megawatt-hora em picos de despacho.</p><p style="text-align: justify;">Quando o ONS aciona as termel&#233;tricas, esse custo extra n&#227;o some. Ele vai para a tarifa do mercado cativo &#8212; a tarifa que a distribuidora cobra do consumidor que n&#227;o tem contrato direto com a geradora. &#201; a tarifa que chega na conta de luz da sua f&#225;brica, do frigor&#237;fico, da metal&#250;rgica, do supermercado, da padaria.</p><p style="text-align: justify;">Isso &#233; o despacho termel&#233;trico. &#201; o mecanismo pelo qual o custo da escassez h&#237;drica &#233; socializado entre todos os consumidores cativos do sistema.</p><p style="text-align: justify;">At&#233; aqui, nada de novo. O brasileiro j&#225; conhece a bandeira vermelha. J&#225; conhece o susto na conta de luz quando o reservat&#243;rio baixa.</p><p style="text-align: justify;">O que o brasileiro n&#227;o conhece &#233; o que acontece do outro lado da equa&#231;&#227;o &#8212; do lado de quem n&#227;o paga a tarifa regulada.</p><div><hr></div><h2>Quando a &#225;gua vai para o servidor</h2><p style="text-align: justify;">Um data center de grande porte n&#227;o compra energia no mercado cativo. Ele negocia diretamente com a geradora atrav&#233;s de um PPA &#8212; Power Purchase Agreement, contrato de compra de energia de longo prazo. O contrato &#233; firmado diretamente entre o data center e a geradora, fora da tarifa regulada, pelo prazo de quinze ou vinte anos, a um pre&#231;o fixo e previs&#237;vel.</p><p style="text-align: justify;">A AWS est&#225; expandindo zonas de disponibilidade em S&#227;o Paulo e no Cear&#225;. A Engie Brasil &#8212; maior geradora privada do pa&#237;s, R$ 33 bilh&#245;es de market cap &#8212; j&#225; possui hist&#243;rico de PPAs diretos com a Amazon, projetos e&#243;licos e solares. A Auren Energia tem capacidade descontratada e negocia energia firme com hyperscalers. A l&#243;gica &#233; simples: data center exige energia limpa, barata e firme. O Brasil tem a matriz mais limpa do hemisf&#233;rio. Os contratos est&#227;o sendo assinados.</p><p style="text-align: justify;">O que esses contratos fazem ao sistema &#233; o seguinte:</p><p style="text-align: justify;"></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/dossie-do-absurdo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/dossie-do-absurdo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Partilhar</span></a></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;">Quando a demanda total de energia sobe &#8212; seja por crescimento econ&#244;mico, seja pelo pr&#243;prio crescimento dos data centers &#8212; o ONS precisa cobrir o gap. As hidrel&#233;tricas com contrato de longo prazo j&#225; est&#227;o comprometidas com os hyperscalers: aquela energia tem destino e pre&#231;o travados. O ONS n&#227;o pode simplesmente redirecion&#225;-la para o mercado cativo. O que sobra para cobrir o gap &#233; a termel&#233;trica.</p><p style="text-align: justify;">A termel&#233;trica que custa cinco vezes mais.</p><p style="text-align: justify;">O custo dessa termel&#233;trica vai para a tarifa do mercado cativo &#8212; a tarifa da f&#225;brica de cal&#231;ados em Franca, do frigor&#237;fico em Marau, da metal&#250;rgica em Contagem, do curtume no Vale do Rio dos Sinos.</p><p style="text-align: justify;">Traduzindo sem eufemismo: o Brasil garantiu energia barata e limpa para a intelig&#234;ncia artificial global e repassou a conta do carv&#227;o para a ind&#250;stria nacional. O data center paga pre&#231;o de hidrel&#233;trica por vinte anos. A f&#225;brica paga bandeira vermelha quando chove menos.</p><p style="text-align: justify;">Existe uma perversidade adicional que merece ser nomeada. O crescimento dos pr&#243;prios data centers contribui para a press&#227;o sobre o sistema el&#233;trico. Cada novo servidor ligado em S&#227;o Paulo &#233; mais demanda. Mais demanda significa mais chance de o ONS precisar acionar a termel&#233;trica. Mais termel&#233;trica significa tarifa mais alta para o mercado cativo. O data center, ao crescer, aumenta a probabilidade de que a ind&#250;stria ao lado pague mais caro pela mesma energia. &#201; um subs&#237;dio cruzado n&#227;o declarado, n&#227;o negociado e n&#227;o compensado.</p><p style="text-align: justify;">O transportador paga mais caro no diesel e na conta de luz do galp&#227;o. O produtor rural paga mais caro na irriga&#231;&#227;o. O frigor&#237;fico paga mais caro no resfriamento. Nenhum deles sabe que parte dessa conta est&#225; financiando a expans&#227;o da infraestrutura de intelig&#234;ncia artificial de uma empresa americana.</p><p style="text-align: justify;">Isso n&#227;o &#233; uma injusti&#231;a acidental. &#201; o resultado direto e previs&#237;vel de um modelo de privatiza&#231;&#227;o que vendeu o instrumento de pol&#237;tica energ&#233;tica sem perguntar para que servia.</p><div><hr></div><h2>O instrumento que vendemos</h2><p style="text-align: justify;">Em 2022, o governo brasileiro privatizou a Eletrobras. Tucuru&#237; &#8212; a maior hidrel&#233;trica inteiramente brasileira do mundo, 8.370 MW instalados. Furnas &#8212; que alimenta o eixo Rio-S&#227;o Paulo. Eletronorte &#8212; que domina a gera&#231;&#227;o na Amaz&#244;nia. Chesf &#8212; que ilumina o Nordeste.</p><p style="text-align: justify;">O processo foi conduzido com an&#225;lise de bancos de investimento, aprova&#231;&#227;o do legislativo, suporte t&#233;cnico de consultorias internacionais. Todos capturaram valor no processo. Nenhum fez a pergunta que importava: qual &#233; o valor estrat&#233;gico desse ativo na era da intelig&#234;ncia artificial?</p><p style="text-align: justify;">A pergunta n&#227;o foi feita porque em 2022 o mercado ainda acreditava que a IA era software. Acreditava que a nuvem era et&#233;rea. Acreditava que o el&#233;tron era um commodity e n&#227;o um recurso estrat&#233;gico. O Capex da Amazon era visto como &#8220;custo de fazer neg&#243;cios&#8221; &#8212; n&#227;o como a confiss&#227;o de que a empresa mais valiosa do mundo estava se transformando em uma siderurgia.</p><p style="text-align: justify;">Antes da privatiza&#231;&#227;o, o Estado controlava qual energia ia para onde e a que pre&#231;o. Tinha o instrumento para dizer: &#8220;essa capacidade de gera&#231;&#227;o serve &#224; ind&#250;stria nacional antes de servir ao data center estrangeiro.&#8221; Tinha a ferramenta de pol&#237;tica energ&#233;tica industrial que qualquer pa&#237;s s&#233;rio usa para atrair manufatura de valor agregado.</p><p style="text-align: justify;">Depois da privatiza&#231;&#227;o, a Eletrobras virou empresa privada com obriga&#231;&#227;o fiduci&#225;ria com seus acionistas. Seu incentivo &#233; maximizar receita. PPAs de longo prazo com hyperscalers pagam pr&#234;mio sobre a tarifa regulada. A decis&#227;o de para onde vai a energia n&#227;o &#233; mais pol&#237;tica industrial &#8212; &#233; otimiza&#231;&#227;o de portf&#243;lio.</p><p style="text-align: justify;">Vendemos a chave da tomada antes de saber que a tomada valia mais que o im&#243;vel.</p><div><hr></div><h2>A Amazon que o mercado n&#227;o est&#225; vendo</h2><p style="text-align: justify;">Aqui est&#225; o n&#250;mero que o consenso celebra como sinal de sa&#250;de tecnol&#243;gica e que eu leio como confiss&#227;o de muta&#231;&#227;o industrial.</p><p style="text-align: justify;">No primeiro trimestre de 2026, a Amazon gastou US$ 43,2 bilh&#245;es em Capex &#8212; investimento em bens de capital: pr&#233;dios, m&#225;quinas, transformadores, servidores, cabos. A proje&#231;&#227;o para o ano completo &#233; de US$ 200 bilh&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">Para calibrar essa escala: a Petrobras, que perfura o pr&#233;-sal a seis quil&#244;metros de profundidade abaixo do oceano, investe cerca de US$ 20 bilh&#245;es por ano. A Amazon est&#225; gastando dez vezes mais que uma petroleira para construir a infraestrutura f&#237;sica da intelig&#234;ncia artificial. Isso n&#227;o &#233; tecnologia. Isso &#233; constru&#231;&#227;o civil pesada, engenharia el&#233;trica e metalurgia em escala que o Brasil n&#227;o viu desde Itaipu.</p><p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, o Free Cash Flow da Amazon &#8212; o dinheiro que sobra no caixa depois de pagar todas as contas e investimentos &#8212; despencou de US$ 25,9 bilh&#245;es para US$ 1,2 bilh&#227;o em doze meses. Queda de 95%. A empresa n&#227;o est&#225; perdendo dinheiro na opera&#231;&#227;o. Ela est&#225; pegando todo o lucro que gera e enterrando no ch&#227;o: comprando terrenos, construindo galp&#245;es de concreto, encomendando transformadores com lead-time de 150 semanas, desenvolvendo chips pr&#243;prios para n&#227;o depender da Nvidia.</p><p style="text-align: justify;">A AWS cresceu 28% no 1T&#8217;26. A receita acelerou. O mercado comemorou. O que o mercado n&#227;o mencionou &#233; que a margem operacional da AWS caiu 1,6 ponto percentual no mesmo per&#237;odo. Em uma empresa de software pura, crescimento de receita deveria expandir margem &#8212; os custos fixos j&#225; est&#227;o pagos, a escala &#233; quase gratuita. Na AWS de 2026, o crescimento de receita comprime margem porque cada novo cliente de IA exige mais GPUs, mais energia, mais resfriamento. O el&#233;tron e o sil&#237;cio est&#227;o crescendo mais r&#225;pido que a receita. A gravidade do mundo real alcan&#231;ou a nuvem.</p><div><hr></div><h2>A siderurgia disfar&#231;ada de software</h2><p style="text-align: justify;">A Amazon de 2016 era uma empresa de software com varejo embutido. A margem do software era quase infinita &#8212; o custo de replicar um c&#243;digo &#233; zero. A AWS operava com margem operacional acima de 30%, chegando ao pico de 39,5% no primeiro trimestre de 2025.</p><p style="text-align: justify;">A Amazon de 2026 &#233; outra entidade.</p><p style="text-align: justify;">Para rodar um modelo de intelig&#234;ncia artificial, a Amazon precisa construir um galp&#227;o de concreto de dezenas de milhares de metros quadrados. Encher esse galp&#227;o com racks de servidores que custam dezenas de milhares de d&#243;lares cada um. Puxar cabos de alta tens&#227;o com lead-time de tr&#234;s anos. Instalar sistemas de resfriamento l&#237;quido &#8212; porque os chips Nvidia Blackwell e os chips Trainium da pr&#243;pria Amazon geram calor que o ar n&#227;o consegue mais dissipar. Acima de 100 kilowatts por rack, a dissipa&#231;&#227;o via ventoinhas exige tanta energia que o pr&#243;prio data center se torna ineficiente. O resfriamento l&#237;quido deixou de ser luxo e virou o &#250;nico caminho fisicamente poss&#237;vel.</p><p style="text-align: justify;">Depois de construir tudo isso, a Amazon ainda precisa garantir energia el&#233;trica firme, limpa e cont&#237;nua, vinte e quatro horas por dia, para uma instala&#231;&#227;o que consome o equivalente a uma cidade de m&#233;dio porte. Ela fechou um PPA com a Talen Energy &#8212; dona da usina nuclear de Susquehanna na Pensilv&#226;nia &#8212; para fornecer at&#233; 960 megawatts de energia nuclear direta por pre&#231;o e prazo determinados. Est&#225; negociando com Vistra, com Brookfield Renewable, com RWE na Alemanha, com Iberdrola na Espanha. No Brasil, negocia com Engie e Auren.</p><p style="text-align: justify;">Isso n&#227;o &#233; uma empresa de software. Isso &#233; uma concession&#225;ria de infraestrutura que cobra aluguel em forma de tokens.</p><p style="text-align: justify;">O balan&#231;o confirma a muta&#231;&#227;o. A linha de ativos imobilizados da Amazon &#8212; pr&#233;dios, m&#225;quinas, equipamentos &#8212; &#233; hoje compar&#225;vel &#224; de uma mineradora ou petroleira. O risco da empresa n&#227;o &#233; mais &#8220;um concorrente lan&#231;ar um modelo de linguagem melhor.&#8221; O risco &#233; &#8220;faltar energia el&#233;trica&#8221; e &#8220;o transformador quebrar.&#8221; S&#227;o os mesmos riscos da Vale. S&#227;o os mesmos riscos da Petrobras.</p><p style="text-align: justify;">O mercado continua precificando a Amazon como uma empresa de tecnologia leve e &#225;gil. Est&#225; comprando uma siderurgia achando que est&#225; comprando um aplicativo.</p><div><hr></div><h2>Hegem&#244;nica e vassala ao mesmo tempo</h2><p style="text-align: justify;">H&#225; uma frase que poderia resumir e o mercado insiste em reconhecer e que resume melhor do que qualquer gr&#225;fico o que est&#225; acontecendo com a Amazon:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;"><em>&#8220;A Amazon &#233; hegem&#244;nica perante seus clientes finais e vassala perante a infraestrutura f&#237;sica cr&#237;tica.&#8221;</em></p></div><p style="text-align: justify;">Hegem&#244;nica: para o cliente final &#8212; a startup, o banco, a Netflix, a Petrobras que migrou seus sistemas para a nuvem &#8212; a AWS &#233; uma deusa. N&#227;o h&#225; alternativa real no curto prazo. <strong>O custo de migrar de volta para infraestrutura pr&#243;pria, ou para outro provedor, &#233; proibitivo</strong>. O cliente paga o que a AWS cobrar.</p><p style="text-align: justify;">Vassala: para construir e operar seus data centers, a Amazon est&#225; de joelhos perante quem controla o transformador, o sistema de resfriamento, o cabo de alta tens&#227;o e o megawatt. Se a WEG &#8212; que fabrica transformadores no Brasil com lead-time de meses enquanto o mundo espera 150 semanas &#8212; disser que o equipamento s&#243; fica pronto em dois anos, a Amazon tem que sentar e esperar. Se a Talen Energy renegociar o PPA nuclear, a Amazon n&#227;o tem alternativa imediata. O poder mudou de m&#227;os na parte de baixo da cadeia.</p><p style="text-align: justify;">Essa invers&#227;o &#233; o fato mais importante e menos discutido da economia da intelig&#234;ncia artificial. O mercado olha para cima &#8212; para o modelo, para o algoritmo, para a interface &#8212; e n&#227;o v&#234; que o poder real est&#225; embaixo, no transformador, na &#225;gua de resfriamento, no el&#233;tron que chega no rack &#224;s tr&#234;s da manh&#227;.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Detalhe n&#227;o dito</strong>: haver&#225; o dia que a Amazon ir&#225; identificar o consumo de dados e <em>Tokens </em>consumidos por cada um dos clintes que usam a rede AWS. Resultado pr&#225;tico: o que impede ela de cobrar mais e do jeito que quiser se verificar que a VALE est&#225; faturando mais? Ela personaliza o pre&#231;o do uso conforme bolso do fregu&#234;s. </p><div><hr></div><h2>O que isso significa para o Brasil</h2><p style="text-align: justify;">O Brasil ocupa uma posi&#231;&#227;o &#250;nica nesse tabuleiro.</p><p style="text-align: justify;">Temos a matriz energ&#233;tica mais limpa do hemisf&#233;rio ocidental. Temos &#225;gua &#8212; muita &#225;gua, embora estejamos aprendendo a desprez&#225;-la de formas criativas. Temos clima favor&#225;vel &#224; constru&#231;&#227;o de data centers em regi&#245;es com temperatura amena. Temos localiza&#231;&#227;o geogr&#225;fica &#8212; S&#227;o Paulo &#233; o maior hub de data centers da Am&#233;rica Latina, posi&#231;&#227;o que a AWS est&#225; expandindo para o Cear&#225;.</p><p style="text-align: justify;">Somos o gargalo f&#237;sico mais valioso da regi&#227;o para a expans&#227;o da intelig&#234;ncia artificial global.</p><p style="text-align: justify;">E em 2022, privatizamos a empresa que controlava o acesso ao recurso mais cr&#237;tico desse gargalo: a energia el&#233;trica firme e limpa das hidrel&#233;tricas.</p><p style="text-align: justify;">O que poderia ter sido um instrumento de soberania energ&#233;tica &#8212; a capacidade de negociar com os hyperscalers em posi&#231;&#227;o de for&#231;a, de garantir contrapartidas industriais em troca do acesso &#224; nossa &#225;gua transformada em el&#233;tron &#8212; virou um ativo de portf&#243;lio de acionistas privados cujo interesse &#233; maximizar receita via PPAs de longo prazo com quem paga mais.</p><p style="text-align: justify;">E quem paga mais &#233; a AWS.</p><p style="text-align: justify;">A f&#225;brica de cal&#231;ados em Franca paga bandeira vermelha. O frigor&#237;fico em Marau paga bandeira vermelha. A metal&#250;rgica em Contagem paga bandeira vermelha.</p><p style="text-align: justify;">O data center em S&#227;o Paulo paga o pre&#231;o do PPA assinado h&#225; dez anos com a Engie.</p><div><hr></div><h2>Donos da Tomada ou Inquilinos do Bit</h2><p style="text-align: justify;">Eduardo Galeano chamou de Veias Abertas o processo pelo qual a Am&#233;rica Latina exporta recursos e importa o valor agregado. O que estamos descrevendo aqui &#233; a vers&#227;o el&#233;trica do mesmo mecanismo &#8212; s&#243; que mais r&#225;pida, mais invis&#237;vel e mais dif&#237;cil de reverter.</p><p style="text-align: justify;">Exportamos a estabilidade do nosso sistema h&#237;drico para resfriar a intelig&#234;ncia alheia. Sofremos a infla&#231;&#227;o da bandeira vermelha quando a seca coincide com o pico de demanda dos data centers. Pagamos em d&#243;lar pelos servi&#231;os de nuvem que essa intelig&#234;ncia nos vende de volta &#8212; com a margem da AWS inclu&#237;da no pre&#231;o.</p><p style="text-align: justify;">O mundo est&#225; se dividindo em dois grupos sem fazer an&#250;ncio formal.</p><p style="text-align: justify;">Os Donos da Tomada: quem controla a energia, a &#225;gua, o transformador, o cabo de alta tens&#227;o. Quem tem o monop&#243;lio geogr&#225;fico e f&#237;sico sobre os recursos que a siderurgia computacional n&#227;o pode fabricar &#8212; s&#243; pode comprar.</p><p style="text-align: justify;">Os Inquilinos do Bit: quem paga aluguel computacional com custo crescente e poder de barganha decrescente. Quem fornece o dado, o processamento e a infraestrutura f&#237;sica &#8212; e paga pelo privil&#233;gio de fazer isso.</p><p style="text-align: justify;">O Brasil tem os recursos para estar no primeiro grupo.</p><p style="text-align: justify;">Em 2022, escolheu o instrumento pol&#237;tico que determinaria qual grupo habitaria. E escolheu mal &#8212; n&#227;o por maldade, mas por n&#227;o ter feito a pergunta certa no momento certo. A pergunta era simples: o que vale mais, o pre&#231;o de venda da Eletrobras hoje, ou o poder de negocia&#231;&#227;o que ela representa na era em que o el&#233;tron virou o petr&#243;leo do algoritmo?</p><p style="text-align: justify;">Ningu&#233;m perguntou. Os bancos de investimento que coordenaram a oferta n&#227;o perguntaram &#8212; eles ganham na transa&#231;&#227;o, n&#227;o na consequ&#234;ncia. Os analistas que modelaram o valuation n&#227;o perguntaram &#8212; eles modelaram fluxo de caixa de uma geradora, n&#227;o o valor estrat&#233;gico de um instrumento de pol&#237;tica industrial. O legislativo que aprovou n&#227;o perguntou &#8212; estava ocupado com outros absurdos.</p><p style="text-align: justify;">E assim o Brasil entrou para o rol dos pa&#237;ses que venderam o asfalto antes de entender que a estrada valia mais que o terreno.</p><p style="text-align: justify;">A Arara Azul n&#227;o entendeu que o Cerrado era seu habitat at&#233; o Cerrado come&#231;ar a desaparecer. O economista brasileiro n&#227;o vai entender que a hidrel&#233;trica era um instrumento de soberania at&#233; o PPA vencer e a renova&#231;&#227;o custar tr&#234;s vezes mais.</p><p style="text-align: justify;">Ambos v&#227;o descobrir tarde.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;"><em>Na semana que vem: como a Vale financiou involuntariamente o castelo da Amazon, por que a precifica&#231;&#227;o cir&#250;rgica da AWS sabe mais sobre a sua empresa do que voc&#234;, e o que a privatiza&#231;&#227;o da Eletrobras tem em comum com o erro que milhares de empresas brasileiras cometeram ao migrar para a nuvem entre 2010 e 2020.</em></p><p style="text-align: justify;"><em>O dossi&#234; continua.</em></p><div><hr></div><p><em>Arara Azul e Economistas: duas esp&#233;cies em extin&#231;&#227;o no Brasil.</em> <em>Se voc&#234; chegou at&#233; aqui, voc&#234; provavelmente n&#227;o &#233; nenhuma das duas.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Chamado da Culatra ]]></title><description><![CDATA[Registro para o pampa dos que vir&#227;o]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/chamado-da-culatra</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/chamado-da-culatra</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 May 2026 03:00:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/539f54d6-239c-463a-95f5-1ba423a6b225_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu escrevo porque antes de mim houve muitos &#8212;<br>e todos deixaram rastros, trilhas, cicatrizes e cantos espalhados pelo pampa.</p><p>Escrevo pela mesma raz&#227;o<br>que for&#231;a o arroio a correr<br>e a &#225;rvore-umbu a dar sombra e crescer.</p><p>Escrevo porque houve uma antiga pampa farroupilha<br>cujas m&#227;os na guerra foram garras e dor.<br>Uns empunharam lan&#231;a; outros entregaram flor.</p><p>Escrevo porque sou consequ&#234;ncia deles &#8212;<br>dos ventos que os moldaram,<br>das guerras que quase os apagaram.</p><p>Escrevo porque meus ancestrais &#8212; charruas, farrapos, vagos &#8212;<br>fizeram desta pampa uma casa e um aviso,<br>uma resist&#234;ncia que o tempo tentou e tenta apagar,<br>mas que o vento insiste em devolver.</p><p>Escrevo porque, na teologia dos meus av&#243;s,<br>&#8212; duzentos anos depois &#8212;<br>Sep&#233; Tiaraju &#233; santo!<br>N&#227;o pediu licen&#231;a a enc&#237;clicas, bulas ou pap&#233;is.<br>O pampa o redimiu &#8212; porque o pampa nunca pediu autoriza&#231;&#227;o pra existir.</p><p>Escrevo porque os que eram trapo hoje s&#227;o pra&#231;a,<br>os que eram p&#225;ria hoje s&#227;o busto.<br>Nada disso &#233; milagre: se n&#227;o houvesse uma m&#227;o riscando o papel,<br>trapo continuava trapo, p&#225;ria continuava p&#225;ria,<br>e o vento levaria tudo sem deixar nome.</p><div><hr></div><p>E escrevo &#8212; como quem canta &#8212;<br>n&#227;o pelos vivos que reinam, mas pelos da culatra:<br>os que deram corpo, ch&#227;o e nome a esta p&#225;tria.</p><p>Escrevo, sobretudo, para os que vir&#227;o.<br>Porque algu&#233;m do pampa ainda vai precisar deste registro:<br>desse ch&#227;o contado, dessa mem&#243;ria acesa,<br>desses nomes que a hist&#243;ria empurra pra tr&#225;s<br>mas o vento do pampa insiste em trazer de volta.</p><p>O Chamado da Culatra &#233; isso:<br>uma obriga&#231;&#227;o ancestral,<br>um chamado inevit&#225;vel.</p><p>&#201; um dever do of&#237;cio: um fatalismo tel&#250;rico.<br>E fatalismo n&#227;o &#233; escolha, &#233; heran&#231;a.</p><div><hr></div><p>Escrevo porque o pampa permanece,<br>mesmo quando tudo o mais se rende.<br>Permanece nos cascos, nos ventos, nos gestos,<br>nos trajes, no aperto de m&#227;o,<br>nos olhos de quem chega tarde demais<br>para ver a hist&#243;ria,<br>mas cedo o bastante<br>para herd&#225;-la.</p><p>E escrevo &#8212; como quem acende um fogo antigo &#8212;<br>para que os que vir&#227;o encontrem luz<br>nas pegadas que os que vieram deixaram.</p><p>Escrevo para que os meus entendam o que s&#227;o.<br>Escrevo para lembrar &#8212; mesmo que a mem&#243;ria venha com cicatriz e dor.<br>N&#227;o escrevo para agradar nem para bajular.<br>Escrevo para que os depois de mim <strong>n&#227;o precisem</strong> perguntar de onde vieram</p><p>Porque esta &#233; a sina dos que respeitam terra e ancestralidade:<br>transformar sil&#234;ncio em registro,<br>rastro em palavra,<br><strong>mem&#243;ria em identidade.</strong></p><div><hr></div><p>E se o pampa chama, eu respondo.<br>E se a culatra sussurra, eu escrevo.<br>E se h&#225; futuro &#224; espreita,<br>que ele venha sabendo<br><strong>que o ch&#227;o que pisa j&#225; foi sangue de outros</strong> &#8212;<br>e que se curve, n&#227;o por medo, mas por respeito aos que j&#225; se foram.</p><div><hr></div><p>Eu, que escutei as av&#243;s.<br>Eu, que n&#227;o conhe&#231;o alpiste.<br>Escrevo os da culatra:<br>esses que fizeram p&#225;tria!<br>Cantarei sempre os de tr&#225;s,<br>para lembrar os que vir&#227;o.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;"><strong>"O Chamado da Culatra: Registro para o pampa dos que vir&#227;o"</strong> &#233; isso: uma coluna dedicada a tudo que me fez gente.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o &#233; um manifesto para convencer um pa&#237;s que parece decidido a se destruir. Essa tarefa parece estar perdida.. <br><br>O Chamado da Culatra &#233; outra coisa:<br>um registro para o pampa dos que vir&#227;o.<br>Uma b&#250;ssola para quem nascer depois, se recusar a pedir permiss&#227;o para existir, falar, criar e permanecer sendo quem &#233;.<br>Tal como aqueles que vieram antes antes mim &#8212;<br>e deixaram ao menos um rastro para que pud&#233;ssemos formar o nosso ch&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Apresentada em formato de folhetim &#8212; a mesma forma que <strong>revelou Machado de Assis ao Brasil, cap&#237;tulo a cap&#237;tulo</strong>. Esse folhetim &#233; o espa&#231;o onde texto, verso e conto se encontram, em cap&#237;tulos semanais, at&#233; sexta-feira.</p><div><hr></div><h2 style="text-align: justify;"><strong>Gloss&#225;rio Pampeano</strong></h2><p style="text-align: justify;">Culatra &#233; a <strong>retaguarda de uma tropa de gado</strong>. Podendo, igualmente, ser parte traseira da garrucha. &#201; o ante, o que est&#225; atr&#225;s. </p><p style="text-align: justify;">No universo campeiro, o pe&#227;o que trabalha nessa posi&#231;&#227;o &#233; chamado de <strong>culatreiro</strong>. Sua miss&#227;o &#233; vir atr&#225;s do rebanho para garantir que nenhum animal se disperse ou fique para tr&#225;s.</p><p style="text-align: justify;">No projeto <em>&#8220;O Chamado da Culatra&#8221;</em>, o termo &#233; usado metaforicamente para representar o olhar de quem vem atr&#225;s, observando a hist&#243;ria e a ancestralidade (o que ficou na retaguarda) para guiar o futuro.</p><p style="text-align: justify;">Na literatura do Pampa, a <strong>culatra</strong> deixa de ser apenas uma posi&#231;&#227;o geogr&#225;fica no rebanho para se tornar um <strong>estado de esp&#237;rito</strong>. &#201; o lugar do &#8220;olhar de vigia&#8221;.</p><p>Imagine a poeira que a tropa levanta: quem vai na frente (o <strong>ponteiro</strong>) enxerga o horizonte limpo, a estrada aberta e o amanh&#227;. Quem vai na <strong>culatra</strong> mergulha na fuma&#231;a de terra deixada pelos que passaram. Literariamente, essa conex&#227;o se d&#225; por tr&#234;s fios:</p><ul><li><p style="text-align: justify;"><strong>A Guardi&#227; do Rastro:</strong> O culatreiro &#233; aquele que recolhe as sobras, o que se perde, o que cansa. Conectar-se com a culatra &#233; decidir que <strong>nenhum fragmento de hist&#243;ria ser&#225; deixado para tr&#225;s</strong>. Enquanto o futuro corre &#224; frente, a culatra garante que a identidade n&#227;o se desfa&#231;a pelo caminho.</p></li><li><p style="text-align: justify;"><strong>O Peso do Passado:</strong> Na narrativa, estar na culatra &#233; carregar a &#8220;press&#227;o&#8221; de tudo o que veio antes. &#201; a retaguarda que empurra a vida para frente. N&#227;o h&#225; avan&#231;o sem o peso desse lastro; a tropa s&#243; caminha porque a culatra a mant&#233;m unida, compacta e focada.</p></li><li><p style="text-align: justify;"><strong>A Perspectiva da Totalidade:</strong> Enquanto o ponteiro s&#243; v&#234; o caminho, quem est&#225; na culatra v&#234; a <strong>tropa inteira</strong>. &#201; a conex&#227;o da sabedoria: para entender o destino do povo (a frente), &#233; preciso observar o movimento dos corpos, os erros e os trope&#231;os que acontecem no meio do caminho.</p></li></ul><p>No projeto <em>"O Chamado da Culatra"</em>, essa conex&#227;o liter&#225;ria sugere que n&#243;s somos os culatreiros da nossa pr&#243;pria hist&#243;ria: estamos aqui para <strong>recolher os nomes e os ex&#237;lios</strong> dos que vieram antes, impedindo que a poeira do tempo os apague.</p><p>Para ser <strong>ponteiro</strong> da vida, &#233; preciso antes ser <strong>culatreiro</strong> da mem&#243;ria.</p><p>Ningu&#233;m abre caminho no horizonte sem recolher o que ficou no rastro: o pai, a m&#227;e, os av&#243;s e os vultos que o tempo deixou vagos. Se hoje sou o <strong>Pampa</strong>, &#233; porque carrego em mim o mapa da heran&#231;a deles.</p><p><strong>Eu sou o Pampa de hoje</strong> porque neles o Pampa primeiro floresceu.</p><p>Esse sentimento n&#227;o caiu do c&#233;u, me foi repassado: seja na pausa do mate, no verso ensinado, na bombacha vestida ou no len&#231;o atado. <br>Sou a heran&#231;a da terra que eles pisaram,<br>do suor que adubou o campo e do sil&#234;ncio que venceu o ex&#237;lio.<br>Minha carne &#233; o barro deles; meu sangue &#233; o arroio que n&#227;o parou de correr.</p><p>E os <strong>que vir&#227;o</strong> &#8212; as sementes que ainda n&#227;o brotaram &#8212;<br>s&#243; saber&#227;o ser Pampa de fato<br>se entenderem que o passo da frente s&#243; tem firmeza<br>quando a retaguarda est&#225; viva no cora&#231;&#227;o.</p><p>Os que vir&#227;o s&#243; saber&#227;o quem s&#227;o se entenderem que a tropa s&#243; avan&#231;a quando a retaguarda est&#225; viva. Pois o futuro nada mais &#233; que o <strong>passado que aprendeu a caminhar</strong>.</p><p>Pois ser ga&#250;cho &#233; saber que a tropa da exist&#234;ncia<br>s&#243; chega ao destino por inteiro<br>quando o futuro abra&#231;a o rastro do seu primeiro <strong>culatreiro</strong>.</p><p>Pois s&#243; h&#225; chegada para quem conhece a partida, e o futuro nada mais &#233; que <strong>o passado cavalgando o infinito para que a mem&#243;ria jamais conhe&#231;a o seu ocaso.</strong></p><div><hr></div><p></p><p style="text-align: justify;">Omar Albuquerque, ponteiro hoje, culatreiro amanh&#227;. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Guerra que Ninguém Está Lendo: Por Que o Oriente Médio Importa Mais do Que Você Acredita.]]></title><description><![CDATA[Coluna: Di&#225;rio da Col&#244;nia. Por Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-guerra-que-ninguem-esta-lendo</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-guerra-que-ninguem-esta-lendo</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Tue, 05 May 2026 06:42:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d3eefe5d-c4e4-4a58-927c-f2edde292e59_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>I. A Gram&#225;tica do Conflito Errado</h2><p style="text-align: justify;">Existe uma certa gram&#225;tica do conflito moderno que hipnotiza quem deveria estar pensando. &#201; uma gram&#225;tica visual, espetacular, constru&#237;da em torno de explos&#245;es filmadas em 4K, an&#225;lises de &#8220;capacidade de fogo&#8221; e o prazer primitivo de assistir a um tanque virar fuma&#231;a no deserto.</p><p style="text-align: justify;">O problema n&#227;o &#233; que essa gram&#225;tica seja falsa &#8212; &#233; que ela descreve a guerra errada. &#201; o s&#233;culo XX projetado sobre o s&#233;culo XXI como se a anatomia do poder n&#227;o tivesse mudado em nada.</p><p style="text-align: justify;">E enquanto o mundo assiste ao espet&#225;culo, a guerra que realmente importa acontece em outro lugar: sem imagem, sem narrador, sem trilha sonora.</p><div><hr></div><h2>II. Onde a Guerra Real Acontece: A Infraestrutura Invis&#237;vel</h2><p style="text-align: justify;">Essa outra guerra est&#225; nas planilhas de custo de frete mar&#237;timo. Nos contratos de seguro que deixam de ser renovados. Nos pre&#231;os do nitrog&#234;nio que sobem sem que nenhuma emissora considere digno de manchete.</p><p style="text-align: justify;">Ela &#233; travada na infraestrutura invis&#237;vel que sustenta a capacidade do planeta de alimentar oito bilh&#245;es de pessoas.</p><p style="text-align: justify;">E ela j&#225; come&#231;ou.</p><p style="text-align: justify;">O que ainda n&#227;o come&#231;ou foi a percep&#231;&#227;o adequada do que est&#225; acontecendo &#8212; e essa defasagem entre evento e compreens&#227;o &#233;, ela pr&#243;pria, parte do mecanismo de destrui&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><h2>III. O Tempo Como Arma: Por Que Dura&#231;&#227;o &#201; Pior Que Intensidade.</h2><p style="text-align: justify;">O que distingue o conflito que se desenha no Oriente M&#233;dio de confrontos anteriores n&#227;o &#233; sua intensidade, mas sua dura&#231;&#227;o projetada.</p><p style="text-align: justify;">H&#225; algo que analistas treinados na tradi&#231;&#227;o clausewitziana raramente incorporam ao modelo: em certos contextos, o tempo n&#227;o &#233; o cen&#225;rio do conflito. Ele &#233; o conflito.</p><p style="text-align: justify;">Quando uma guerra se estende por 18, 24, 36 meses, o que se degrada n&#227;o s&#227;o apenas ex&#233;rcitos e equipamentos.</p><p style="text-align: justify;">O que se degrada &#233; a estrutura log&#237;stica que permite que a civiliza&#231;&#227;o funcione em sua configura&#231;&#227;o atual.</p><div><hr></div><h2>IV. A Degrada&#231;&#227;o Silenciosa: Seguradoras, Rotas e Contratos</h2><p>A incerteza persistente tem um custo que se acumula sem barulho.</p><ul><li><p>Seguradoras saem do mercado. Rotas s&#227;o renegociadas sob coer&#231;&#227;o.</p></li><li><p>Contratos de longo prazo n&#227;o s&#227;o renovados.</p></li><li><p>Navios param de entrar em certas &#225;guas.</p></li></ul><p style="text-align: justify;">Nenhum desses eventos produz um v&#237;deo dram&#225;tico, mas cada um deles remove um tijolo da funda&#231;&#227;o sobre a qual repousa o sistema alimentar global.</p><p style="text-align: justify;">&#201; uma demoli&#231;&#227;o lenta, conduzida n&#227;o com explosivos, mas com:</p><ul><li><p>Burocracia</p></li><li><p>Risco atuarial</p></li><li><p>Press&#227;o legal</p></li></ul><p>E &#233; exatamente por isso que passa despercebida.</p><div><hr></div><h2>V. O Risco Real: Quando Nitrog&#234;nio Virar Ouro</h2><p style="text-align: justify;">O risco existencial real, caso o conflito no Oriente M&#233;dio persista na trajet&#243;ria que as evid&#234;ncias geopol&#237;ticas sugerem, n&#227;o vir&#225; de um impacto nuclear direto.</p><p style="text-align: justify;">Vir&#225; da asfixia gradual das cadeias de suprimento de energia e fertilizantes.</p><p style="text-align: justify;">Esse colapso estrutural est&#225; sendo solenemente ignorado pelos centros de decis&#227;o que deveriam zelar pela organiza&#231;&#227;o do sistema.</p><p style="text-align: justify;">O motivo dessa neglig&#234;ncia n&#227;o &#233; ignor&#226;ncia t&#233;cnica. &#201; um problema de gram&#225;tica cognitiva.</p><p style="text-align: justify;">Nossos instrumentos de leitura do mundo foram calibrados para detectar explos&#245;es, n&#227;o eros&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">Enxergamos o tanque destru&#237;do. N&#227;o enxergamos a rota mar&#237;tima abandonada. Contamos ogivas. N&#227;o contamos os contratos de adubo que n&#227;o foram assinados este trimestre.</p><div><hr></div><h2>VI. O Processo Que Alimenta o Mundo: Haber-Bosch</h2><p style="text-align: justify;">A humanidade, em sua base biol&#243;gica atual, &#233; dependente de um processo descoberto no in&#237;cio do s&#233;culo XX e que raramente aparece em conversas sobre geopol&#237;tica: o processo de Haber-Bosch.</p><p style="text-align: justify;">A convers&#227;o industrial de nitrog&#234;nio atmosf&#233;rico em am&#244;nia.</p><p style="text-align: justify;">Que por sua vez alimenta os fertilizantes que tornam poss&#237;vel a agricultura em escala suficiente para sustentar oito bilh&#245;es de pessoas.</p><p style="text-align: justify;">Esse processo &#233; intensivo em energia.</p><p style="text-align: justify;">Depende, de forma estrutural, do acesso cont&#237;nuo a g&#225;s natural e petr&#243;leo. N&#227;o h&#225; alternativa industrial em escala para substitu&#237;-lo no curto ou m&#233;dio prazo.</p><p style="text-align: justify;">O que isso significa, em termos concretos, &#233; que <strong>a capacidade de suporte alimentar do planeta </strong>n&#227;o &#233; uma constante geogr&#225;fica &#8212; &#233; uma vari&#225;vel energ&#233;tica.</p><p style="text-align: justify;">Corte o acesso &#224; matriz de energia f&#243;ssil necess&#225;ria para essa convers&#227;o e a Terra que hoje alimenta oito bilh&#245;es passa a alimentar, em estimativas conservadoras, um ou dois bilh&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">O restante enfrenta uma equa&#231;&#227;o que a hist&#243;ria conhece bem, embora prefira n&#227;o nomear diretamente.</p><div><hr></div><h2>VII. O Golfo P&#233;rsico: O Gargalo Que Ningu&#233;m Monitora</h2><p style="text-align: justify;">Essa depend&#234;ncia transformaria qualquer bloqueio ou destrui&#231;&#227;o significativa de infraestrutura no Golfo P&#233;rsico num evento de consequ&#234;ncias que <strong>transcendem em muito o campo de batalha imediato.</strong></p><p style="text-align: justify;">A interrup&#231;&#227;o do suprimento mundial de energia n&#227;o paralisaria apenas polos industriais.</p><p style="text-align: justify;">Paralisaria a agricultura mecanizada do s&#233;culo XXI.</p><p style="text-align: justify;">A fome resultante atingiria<strong> primeiro o Sul Global</strong>, onde as margens s&#227;o menores e os estoques mais curtos, antes de se infiltrar nas economias que se julgam insuladas por sua riqueza.</p><p style="text-align: justify;">O tempo que essa infiltra&#231;&#227;o levaria para se tornar politicamente insuport&#225;vel nas democracias ocidentais &#233; a &#250;nica vari&#225;vel que os analistas respons&#225;veis deveriam estar modelando agora.</p><p><strong>E n&#227;o est&#227;o</strong>.</p><div><hr></div><h2>VIII. O Brasil no Fio da Navalha: Celeiro Fr&#225;gil</h2><p style="text-align: justify;">No Brasil, isso tem um sabor particular de <strong>ironia estrutural.</strong></p><p style="text-align: justify;">A narrativa de sermos o &#8220;celeiro do mundo&#8221;, o grande garantidor da seguran&#231;a alimentar global, &#233; consumida com orgulho leg&#237;timo.</p><p style="text-align: justify;">Mas repousa sobre uma premissa que raramente &#233; examinada: a<strong> de que os pre&#231;os dos fertilizantes permanecer&#227;o em patamares racionais e que as cadeias log&#237;sticas funcionar&#227;o ininterruptamente.</strong></p><p style="text-align: justify;">O Brasil importa algo em torno de <strong>85% dos fertilizantes que consome</strong>.</p><p style="text-align: justify;">Essa depend&#234;ncia transforma a narrativa do celeiro numa constru&#231;&#227;o fr&#225;gil, cuja funda&#231;&#227;o est&#225; localizada geograficamente no Golfo P&#233;rsico e nas rotas mar&#237;timas que o conectam ao Atl&#226;ntico Sul.</p><p><strong>Se o Golfo for bloqueado:</strong></p><ul><li><p>O colapso do modelo agr&#237;cola brasileiro n&#227;o levaria meses &#8212; levaria <strong>semanas.</strong></p></li><li><p style="text-align: justify;">O custo de importa&#231;&#227;o de insumos cr&#237;ticos e o frete mar&#237;timo disparariam de forma<strong> exponencial,</strong> destruindo a viabilidade econ&#244;mica de opera&#231;&#245;es que hoje funcionam com margens j&#225; estreitas.</p></li><li><p>A ilus&#227;o de seguran&#231;a alimentar nacional desaba em menos de <strong>48 horas </strong>de bloqueio efetivo.</p></li></ul><p style="text-align: justify;">O que &#233; perturbador n&#227;o &#233; que isso seja desconhecido. &#201; que seja deliberadamente n&#227;o incorporado ao planejamento estrat&#233;gico.</p><div><hr></div><h2>IX. A Guerra de Papel: O Bloqueio Invis&#237;vel</h2><p style="text-align: justify;">H&#225; uma outra dimens&#227;o desse processo que merece aten&#231;&#227;o espec&#237;fica porque &#233; <strong>metodologicamente</strong> sofisticada e, por isso mesmo, subestimada: a <strong>guerra de papel.</strong></p><p style="text-align: justify;">N&#227;o &#233; necess&#225;rio destruir fisicamente um navio para paralis&#225;-lo.</p><p style="text-align: justify;">Basta que sua seguradora decida n&#227;o renovar a ap&#243;lice. Basta que o porto de destino, sob press&#227;o de san&#231;&#245;es secund&#225;rias, recuse a atracagem. Basta que o banco que financia a opera&#231;&#227;o conclua que o risco regulat&#243;rio &#233; alto demais.</p><p>O controle, nessa modalidade de conflito, &#233; exercido atrav&#233;s de:</p><ul><li><p>Nega&#231;&#227;o burocr&#225;tica</p></li><li><p>Apreens&#245;es legais</p></li><li><p>Press&#245;es que nunca aparecem em relat&#243;rios de intelig&#234;ncia militar</p></li></ul><p>Porque n&#227;o s&#227;o tecnicamente militares.</p><p>O efeito, por&#233;m, &#233;<strong> id&#234;ntico ao de um bloqueio f&#237;sico:</strong></p><ul><li><p>O navio n&#227;o sai do porto</p></li><li><p>A carga n&#227;o chega</p></li><li><p>O insumo n&#227;o &#233; produzido</p></li><li><p style="text-align: justify;">A comida n&#227;o &#233; plantada</p></li></ul><p style="text-align: justify;">O mercado financeiro, treinado para precificar risco em horizontes curtos e m&#233;tricas quantific&#225;veis, <strong>sistematicamente</strong> falha em capturar esse tipo de degrada&#231;&#227;o difusa.</p><p style="text-align: justify;">E essa falha de precifica&#231;&#227;o cria <strong>janelas de exposi&#231;&#227;o</strong> que empresas e governos s&#243; percebem quando j&#225; &#233; tarde.</p><div><hr></div><h2>X. A Transi&#231;&#227;o Hegem&#244;nica: O Fim da Fian&#231;a Americana</h2><p style="text-align: justify;">Tudo isso se passa num contexto de transi&#231;&#227;o hegem&#244;nica que n&#227;o foi ainda devidamente assimilado.</p><p style="text-align: justify;">Estamos testemunhando o <strong>fim de uma era</strong> em que a superpot&#234;ncia americana atuava como fiadora do livre com&#233;rcio global.</p><p style="text-align: justify;">Esse modelo tinha uma l&#243;gica de neg&#243;cio clara: ser o &#8220;policial global&#8221; era lucrativo porque garantia o fluxo que sustentava a primazia do d&#243;lar, que por sua vez financiava a capacidade militar de continuar sendo o policial global.</p><p style="text-align: justify;">Era um c&#237;rculo virtuoso do ponto de vista da manuten&#231;&#227;o de poder.</p><p style="text-align: justify;">O que est&#225; acontecendo agora &#233; o desgaste simult&#226;neo dos dois pilares desse c&#237;rculo:</p><ol><li><p><strong>O d&#243;lar enfrenta press&#245;es estruturais</strong> com a emerg&#234;ncia de rotas comerciais negociadas em moedas locais ou ouro, removendo o incentivo central para que os EUA mantenham os oceanos pac&#237;ficos.</p></li><li><p><strong>Sem esse incentivo, a l&#243;gica estrat&#233;gica americana</strong> migra gradualmente do policiamento para o controle seletivo de<strong> pontos de estrangulamento </strong>&#8212; uma estrat&#233;gia que se assemelha menos ao xerife e mais ao que, em linguagem menos diplom&#225;tica, se chamaria de<strong> estado mafioso</strong>.</p></li></ol><p>O poder n&#227;o est&#225; mais no livre fluxo. Est&#225; na capacidade de decidir quem passa e quem n&#227;o passa pelo:</p><ul><li><p>Canal de Suez</p></li><li><p>Estreito de Ormuz</p></li><li><p>Canal do Panam&#225;</p></li></ul><div><hr></div><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;">Agora voc&#234; entende a estrutura. Mas a pergunta real n&#227;o &#233; &#8220;o que vai acontecer?&#8221; &#8212; qualquer an&#225;lise estruturada consegue responder.</p><p style="text-align: justify;">A pergunta que importa &#233;: &#8220;o que fa&#231;o agora com essa informa&#231;&#227;o?&#8221;</p><p style="text-align: justify;">Porque h&#225; um diferen&#231;a abissal entre:</p><ul><li><p>Saber que o Golfo P&#233;rsico &#233; um gargalo (informa&#231;&#227;o)</p></li><li><p>Saber como precificar o risco dessa vulnerabilidade no seu portf&#243;lio (intelig&#234;ncia)</p></li></ul><p style="text-align: justify;">O que se segue &#233; justamente isso: o mapeamento de cen&#225;rios, a probabilidade de cada um, e as decis&#245;es concretas que voc&#234; precisa tomar antes que o mercado perceba.</p><p style="text-align: justify;">Porque quando o mercado perceber, o arbitragem j&#225; ter&#225; desaparecido.</p><p style="text-align: justify;">Para acessar a an&#225;lise completa de cen&#225;rios, as m&#233;tricas de risco em tempo real e as recomenda&#231;&#245;es executivas, assine a Gazeta..</p></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Motorista Perfeito]]></title><description><![CDATA[Coluna O Cronista - Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-motorista-perfeito</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-motorista-perfeito</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 01 May 2026 10:37:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/538c1390-d228-459b-baa7-e6c5b014b5fe_1122x1402.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ningu&#233;m sabe ao certo onde fica o Vilarejo das Leis Bem-Intencionadas. Alguns dizem que &#233; no interior profundo, daquele tipo de interior que nem o interior conhece direito. Outros dizem que &#233; num mapa desenhado por algu&#233;m que bebeu demais numa sexta-feira e acordou achando que tinha tido uma boa ideia. O fato &#233; que o lugar existe, o fato aconteceu, e quem duvida que v&#225; l&#225; perguntar &#8212; se achar.</p><p style="text-align: justify;">O que se sabe &#233; que, naquele vilarejo, a democracia funcionava. &#192;s vezes funcionava demais.</p><p style="text-align: justify;">Durante anos, o debate p&#250;blico local foi dominado por uma quest&#227;o que, para os de fora, poderia parecer menor. Para os de dentro, era uma ferida aberta, um n&#243; hist&#243;rico, uma injusti&#231;a que atravessava gera&#231;&#245;es inteiras sem pedir licen&#231;a.</p><p style="text-align: justify;">A quest&#227;o era a seguinte: quem tinha mais direitos &#8212; os caolhos do olho esquerdo e surdos do lado direito, ou os caolhos do olho direito e surdos do lado esquerdo?</p><p style="text-align: justify;">A ACODESRD &#8212; Associa&#231;&#227;o dos Caolhos do Olho Esquerdo e Surdos do Lado Direito &#8212; era a mais antiga e estabelecida. Tinha sede pr&#243;pria com ar-condicionado que funcionava tr&#234;s meses por ano. Tinha cafeteira el&#233;trica, advogados contratados e um hino oficial composto por um sobrinho talentoso do presidente, cantado em f&#225; menor com refr&#227;o emocionante que ningu&#233;m decorava completamente mas todo mundo fingia que sim. Tinha panfletos coloridos distribu&#237;dos duas vezes por ano, sempre antes das elei&#231;&#245;es, sempre com uma foto do presidente apertando a m&#227;o de algu&#233;m importante.</p><p style="text-align: justify;">A ACODESL &#8212; Associa&#231;&#227;o dos Caolhos do Olho Direito e Surdos do Lado Esquerdo &#8212; tinha uma sala emprestada nos fundos de uma padaria, um mime&#243;grafo que funcionava s&#243; quando chovia, e uma raiva acumulada de d&#233;cadas que havia se transformado, com o tempo, em combust&#237;vel pol&#237;tico de alta octanagem e cheiro forte.</p><p style="text-align: justify;">O argumento central da ACODESRD era de que seus associados sofriam mais, pois o olho esquerdo e o ouvido direito eram, historicamente, os mais exigidos nas atividades cotidianas do vilarejo &#8212; argumento que a ACODESL rebatia com um dossi&#234; de quarenta e sete p&#225;ginas provando o contr&#225;rio, das quais ningu&#233;m havia lido mais que a capa, mas que todos citavam com autoridade em reuni&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">A disputa durou onze anos, tr&#234;s prefeitos, uma enchente que interrompeu o debate por alguns meses mas n&#227;o o encerrou, e uma elei&#231;&#227;o municipal em que os dois grupos votaram em candidatos diferentes e nenhum ganhou.</p><p style="text-align: justify;">No final, a ACODESL venceu. A lei passou com seis votos a favor, quatro contra e dois vereadores que sa&#237;ram para buscar caf&#233; e n&#227;o voltaram a tempo. A lei determinava, em linguagem t&#233;cnica e rebuscada e com tantos incisos que o documento precisava de um &#237;ndice pr&#243;prio, o seguinte: pessoas caolhas do olho direito e surdas do lado esquerdo deveriam ter acesso priorit&#225;rio ao cargo de motorista de &#244;nibus municipal, em respeito &#224; diversidade, &#224; inclus&#227;o e ao artigo 7&#186; do Plano Decenal de Equidade no Transporte Coletivo, que ningu&#233;m havia lido mas todos haviam aprovado tr&#234;s anos antes numa sess&#227;o de vinte minutos.</p><p style="text-align: justify;">A ACODESRD entrou com recurso. O recurso foi aceito, suspenso, reaberto, arquivado por erro formal, reaberto novamente e esquecido numa gaveta quando o funcion&#225;rio respons&#225;vel se aposentou e levou a senha do sistema consigo.</p><p style="text-align: justify;">A lei estava valendo. Precisavam de um nome.</p><p style="text-align: center;">---</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><strong>Assine a Gazeta do Absurdo e n&#227;o deixe Anfil&#243;quio na m&#227;o.</strong></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Encontraram Anfil&#243;quio.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio Bezerra das Neves tinha cinquenta e tr&#234;s anos, um chap&#233;u de palha que havia passado da fase de surrado e entrado na fase de rel&#237;quia, e um hist&#243;rico profissional que inspirava tanto respeito quanto perguntas. Havia sido vendedor de vassouras por quatro anos &#8212; at&#233; perceber que o mercado era mais competitivo do que parecia. Vigia noturno de um galinheiro por dois anos &#8212; at&#233; as galinhas serem roubadas numa noite em que cochilou, epis&#243;dio do qual nunca falava em detalhes mas que seus olhos entregavam quando o assunto era mencionado. E, por tr&#234;s semanas memor&#225;veis, m&#225;gico de festa infantil &#8212; at&#233; o coelho escapar da cartola, saltar pela janela do sal&#227;o e nunca mais ser encontrado, fato que as crian&#231;as presentes jamais esqueceram e que seus pais mencionavam at&#233; hoje quando o assunto era trauma infantil precoce.</p><p style="text-align: justify;">Era caolho do olho direito desde os sete anos, por conta de um estilingue mal calculado e um alvo que havia se movido na &#250;ltima fra&#231;&#227;o de segundo. E surdo do ouvido esquerdo desde os quarenta, por conta de uma buzina de caminh&#227;o que um conhecido havia acionado do lado errado como brincadeira. O conhecido havia achado muito engra&#231;ado. Anfil&#243;quio havia achado menos, e havia arquivado o epis&#243;dio numa pasta mental chamada coisas que n&#227;o esque&#231;o, mas finjo que esqueci.</p><p style="text-align: justify;">Era, portanto, o candidato tecnicamente perfeito. Tinha os documentos em ordem. Tinha a categoria de habilita&#231;&#227;o exigida, obtida anos antes num per&#237;odo de otimismo que n&#227;o havia se sustentado. Tinha a condi&#231;&#227;o f&#237;sica exigida pela lei com uma precis&#227;o quase cir&#250;rgica.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o tinha a menor experi&#234;ncia com &#244;nibus.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Mas isso &#8212; disse o presidente da ACODESL, assinando os pap&#233;is com solenidade &#8212; &#233; um detalhe operacional. O importante &#233; o princ&#237;pio.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio assinou com uma caneta que estava claramente secando e que precisou ser pressionada com for&#231;a consider&#225;vel para deixar qualquer marca leg&#237;vel.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">Os primeiros dias foram razo&#225;veis, dentro de uma defini&#231;&#227;o bastante generosa do que &#233; razo&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio enxergava apenas pelo olho esquerdo, de modo que tudo &#224; sua direita existia numa esp&#233;cie de dimens&#227;o paralela, acess&#237;vel apenas por f&#233; ou pelo espelho retrovisor &#8212; que havia dobrado para dentro logo no primeiro dia, sem querer, ao encostar num poste que surgiu do nada pelo lado direito e que, do ponto de vista de Anfil&#243;quio, simplesmente n&#227;o havia sido anunciado.</p><p style="text-align: justify;">Escutava apenas pelo ouvido direito, de modo que qualquer coisa dita do lado esquerdo chegava at&#233; ele como se viesse de outro c&#244;modo, de outro andar, talvez de outro bairro. N&#227;o era surdez total &#8212; era, como ele mesmo descrevia, quando algu&#233;m tinha paci&#234;ncia para ouvir a explica&#231;&#227;o - uma quest&#227;o de endere&#231;o. O som entrava pela direita. O que chegasse pela esquerda que mandasse carta.</p><p style="text-align: justify;">O &#244;nibus fazia, oficialmente, a linha Circular Centro. Na pr&#225;tica, fazia a Linha Anfil&#243;quio, com desvios autorais, hor&#225;rios filos&#243;ficos e uma rela&#231;&#227;o bastante pessoal com o conceito de trajeto fixo. Havia um caminho mais sombreado que ele havia incorporado por prefer&#234;ncia pr&#243;pria, uma rua com menos buracos que havia virado parada n&#227;o oficial, e um trecho que evitava porque havia um cachorro que latia do lado direito e o assustava.</p><p style="text-align: justify;">Os passageiros foram se adaptando, como passageiros sempre fazem quando a alternativa &#233; andar a p&#233;. Aprenderam a embarcar sempre pela frente, sempre do lado esquerdo, sempre com contato visual estabelecido. Aprenderam a gritar qualquer solicita&#231;&#227;o com clareza do lado direito de Anfil&#243;quio, de prefer&#234;ncia com gestos amplos. Uma senhora chamada Corina havia desenvolvido um sistema de sinais com um len&#231;o branco que funcionava razoavelmente bem. Um senhor chamado Raimundo havia simplesmente comprado uma bicicleta. Um grupo de jovens havia criado um aplicativo informal onde os passageiros se avisavam mutuamente sobre o trajeto do dia e as paradas que Anfil&#243;quio havia decidido ignorar.</p><p style="text-align: justify;">O vilarejo foi se adaptando. Como sempre fazia.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">O problema surgiu numa quinta-feira.</p><p style="text-align: justify;">Era uma quinta-feira de sol morno e vento que n&#227;o sabia bem o que queria, enquanto o &#244;nibus descia a Rua do Progresso Moderado. Numa cal&#231;ada do lado direito &#8212; o lado cego &#8212; uma mulher chamada Geralda, de sacolas volumosas nas duas m&#227;os e chap&#233;u de abas largas que o vento amea&#231;ava sequestrar, acenou com energia crescente para parar o &#244;nibus.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o viu.</p><p style="text-align: justify;">Geralda acenou com mais for&#231;a. Depois com as duas sacolas simultaneamente, num movimento que ela mesma depois descreveu como o mais expressivo da sua vida e que havia custado um pote de molho de tomate que n&#227;o sobreviveu ao entusiasmo. O chap&#233;u voou. Ela deixou voar, porque as sacolas eram mais importantes naquele momento.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o viu porque estava inteiramente concentrado em desviar de um cachorro de porte m&#233;dio que havia decidido atravessar a rua pelo &#250;nico &#226;ngulo vis&#237;vel, com a tranquilidade espec&#237;fica dos cachorros que sabem que o mundo vai esperar.</p><p style="text-align: justify;">Geralda correu atr&#225;s do &#244;nibus por uma quadra e meia &#8212; fa&#231;anha que ela depois descreveu como o &#250;nico exerc&#237;cio cardiovascular de intensidade que havia feito em sete anos, e que n&#227;o havia sido volunt&#225;rio. Quando desistiu, parou no meio da cal&#231;ada, ofegante, sem chap&#233;u, com um pote de molho a menos, e gritou algo em dire&#231;&#227;o ao &#244;nibus que se afastava. Gritou do lado esquerdo.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o escutou.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">Quem estava do lado esquerdo, naquele momento, era Fluid&#243;rio.</p><p style="text-align: justify;">Fluid&#243;rio vinha pelo canteiro central da Rua do Progresso Moderado num skate importado, personalizado, que havia custado o equivalente a dois meses de aluguel numa cidade maior. Vinha pedindo passagem em voz alta h&#225; meio quarteir&#227;o para que Anfil&#243;quio abrisse a porta traseira.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o escutou. O lado esquerdo n&#227;o tinha endere&#231;o no seu mapa auditivo.</p><p style="text-align: justify;">O skate, deixado por um segundo no asfalto enquanto Fluid&#243;rio saltava para a cal&#231;ada, n&#227;o teve a mesma sorte. O &#244;nibus passou por cima com uma objetividade que n&#227;o deixou margem para interpreta&#231;&#227;o, para recurso ou para conserto.</p><p style="text-align: justify;">Fluid&#243;rio tinha um primo advogado. Jovem, entusiasmado, com uma vis&#227;o bastante el&#225;stica do que constitu&#237;a discrimina&#231;&#227;o no espa&#231;o p&#250;blico motorizado e que achava que o caso daria um bom artigo, o que estava certo.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">O processo foi aberto quarenta e oito horas depois.</p><p style="text-align: justify;">O delegado respons&#225;vel pelo boletim precisou de tr&#234;s caf&#233;s, duas consultas ao c&#243;digo municipal e uma liga&#231;&#227;o para um colega de outra cidade para conseguir enquadrar Anfil&#243;quio sem entrar em contradi&#231;&#227;o direta com a lei que o havia colocado no &#244;nibus. O enquadramento final citava o artigo 34-C da Lei Municipal de Respeito &#224;s Express&#245;es de Identidade no Espa&#231;o P&#250;blico Motorizado, combinado com o par&#225;grafo &#250;nico do artigo 12 da Lei de Acessibilidade Sonora em Vias de Circula&#231;&#227;o, mais uma cl&#225;usula sobre neglig&#234;ncia sensorial em ve&#237;culo coletivo encontrada num decreto de 2019 que ningu&#233;m sabia que existia at&#233; aquele momento.</p><p style="text-align: justify;">Em linguagem acess&#237;vel: n&#227;o parou pra quem pediu, e n&#227;o escutou quem estava do lado esquerdo, ofensa de g&#234;nero, racismo e sexismo configurado,.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio foi preso numa manh&#227; de ter&#231;a-feira. Entregou o chap&#233;u a um vizinho para guardar e foi com uma dignidade serena, como algu&#233;m que, no fundo, n&#227;o estava completamente surpreso com o rumo que as coisas tomaram.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">Na cela, havia outros cinco homens e um baralho com cinquenta e uma cartas &#8212; o tr&#234;s de copas havia desaparecido na semana anterior em circunst&#226;ncias que ningu&#233;m quis investigar.</p><p style="text-align: justify;">No centro do ch&#227;o de concreto, como um trof&#233;u ol&#237;mpico, como um c&#225;lice sagrado, como a raz&#227;o pela qual civiliza&#231;&#245;es tombam, havia uma coca-cola morna.</p><p style="text-align: justify;">Jogavam truco.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio e um sujeito chamado Eust&#225;quio faziam dupla contra os irm&#227;os Esqueraldo e Diraldo &#8212; g&#234;meos id&#234;nticos que jogavam truco com uma sincronia que os outros achavam suspeita e que provavelmente era. Os dois haviam chegado &#224; cela por caminhos opostos e igualmente confusos.</p><p style="text-align: justify;">Esqueraldo havia sido denunciado pela ANACAD &#8212; Associa&#231;&#227;o Nacional dos Canhotos em Defesa da Lateralidade &#8212; por ter assinado um documento com a m&#227;o direita na frente de um militante canhoto, num ato enquadrado como refor&#231;o gestual consciente da hegemonia destroc&#234;ntrica em ambiente administrativo. O caso aguardava parecer.</p><p style="text-align: justify;">Diraldo havia sido denunciado pela ANADE &#8212; Associa&#231;&#227;o Nacional dos Destros em Equil&#237;brio &#8212; por ter passado uma caneta para o lado esquerdo de um colega destro sem autoriza&#231;&#227;o expressa, configurando, segundo o of&#237;cio de quatro p&#225;ginas com anexos, imposi&#231;&#227;o ideol&#243;gica de lateralidade n&#227;o solicitada em contexto laboral. O caso tamb&#233;m aguardava parecer.</p><p style="text-align: justify;">Os dois casos aguardavam o mesmo promotor.</p><p style="text-align: justify;">O promotor, no momento, comia hot-dog na pra&#231;a.</p><p style="text-align: justify;">No truco, o parceiro sinaliza. Com o olho, com a sobrancelha, com um quase-sorriso que significa tenho carta boa ou um olhar vazio que significa estamos perdidos, blefa. &#201; uma l&#237;ngua paralela, silenciosa, constru&#237;da em d&#233;cadas de jogos em mesas de bar, de cal&#231;ada, de cozinha.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o enxergava o lado direito. Eust&#225;quio estava sentado &#224; sua direita.</p><p style="text-align: justify;">Eust&#225;quio havia percebido isso no primeiro round e havia mudado para a esquerda, com a l&#243;gica generosa de quem tenta resolver um problema pr&#225;tico.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o escutava o lado esquerdo. Eust&#225;quio havia percebido isso no segundo round.</p><p style="text-align: justify;">No terceiro round, Eust&#225;quio havia simplesmente desistido de se comunicar com o parceiro e estava jogando como se fosse uma modalidade individual, o que no truco n&#227;o &#233; uma modalidade que existe.</p><p style="text-align: justify;">Esqueraldo gritou truco do lado esquerdo de Anfil&#243;quio.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o escutou.</p><p style="text-align: justify;">Diraldo repetiu, do mesmo lado, porque era onde estava sentado.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio n&#227;o escutou.</p><p style="text-align: justify;">Eust&#225;quio bateu na mesa &#8212; que era o ch&#227;o &#8212; e doeu.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio olhou para as pr&#243;prias cartas com a concentra&#231;&#227;o de quem est&#225; tomando uma decis&#227;o importante e jogou o quatro de ouros com uma seguran&#231;a que s&#243; existe em quem n&#227;o sabe o que est&#225; acontecendo ao redor.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Ele n&#227;o escutou o truco &#8212; disse Diraldo.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Eu sei &#8212; disse Esqueraldo.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Ent&#227;o ele tem que responder.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Ele n&#227;o sabe que tem que responder porque n&#227;o escutou.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Mas foi trucado.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Foi.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Ent&#227;o vale.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Vale o qu&#234;?</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Vale que ele n&#227;o respondeu.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Mas ele n&#227;o respondeu porque n&#227;o escutou.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; O truco n&#227;o tem cl&#225;usula de surdez.</p><p style="text-align: justify;">Houve uma pausa enquanto todos consideravam se o truco tinha ou n&#227;o cl&#225;usula de surdez. O consenso t&#225;cito foi que n&#227;o tinha, mas que talvez devesse ter, e que essa era uma discuss&#227;o para outro momento.</p><p style="text-align: justify;">Eust&#225;quio tentou explicar a situa&#231;&#227;o para Anfil&#243;quio gesticulando com energia do lado direito, como algu&#233;m fazendo sinaliza&#231;&#227;o de pouso num aeroporto de m&#233;dio porte.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio virou, viu os gestos, e interpretou como entusiasmo com o quatro de ouros.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Pois &#233; &#8212; disse ele, concordando com uma coisa que n&#227;o havia sido dita. &#8212; Eu tamb&#233;m achei que era a hora certa.</p><p style="text-align: justify;">Eust&#225;quio fechou os olhos por um momento longo.</p><p style="text-align: justify;">Diraldo pegou a coca-cola do ch&#227;o e declarou vit&#243;ria por W.O., conceito que havia aprendido numa revista de esportes e que estava aplicando com a confian&#231;a de quem n&#227;o tem certeza do significado mas acha que encaixa na situa&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Foi quando Eust&#225;quio, quieto tempo demais para o seu pr&#243;prio bem, disse do lado esquerdo de Anfil&#243;quio uma frase que Anfil&#243;quio n&#227;o escutou mas que os irm&#227;os escutaram com clareza cristalina, e que continha uma avalia&#231;&#227;o bastante direta sobre a intelig&#234;ncia dos dois enquanto jogadores de truco e enquanto seres humanos em geral.</p><p style="text-align: justify;">Os irm&#227;os se levantaram.</p><p style="text-align: justify;">A coca-cola ficou no ch&#227;o, esquecida, como costuma acontecer com as causas quando a guerra come&#231;a de verdade.</p><p style="text-align: justify;">O que se seguiu durou menos de dois minutos e foi, pelos relatos posteriores, bastante democr&#225;tico na distribui&#231;&#227;o de consequ&#234;ncias. Anfil&#243;quio, que havia entrado no epis&#243;dio sem entender exatamente o que havia dito nem o que havia acontecido, saiu dele com o olho esquerdo &#8212; o bom, o &#250;nico &#8212; fechado e inchado. E com o ouvido direito &#8212; o bom, o &#250;nico &#8212; zumbindo numa frequ&#234;ncia que os m&#233;dicos depois descreveriam como clinicamente significativa.</p><p style="text-align: justify;">O zumbido parou depois de alguns dias.</p><p style="text-align: justify;">O sil&#234;ncio que ficou era de outro tipo.</p><p style="text-align: justify;">A coca-cola, descobriram depois, estava quente e completamente sem g&#225;s. Ningu&#233;m havia ganho nada.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">Naquela mesma semana, do lado de fora, o delegado Clebson Direitos &#8212; candidato a prefeito nas pr&#243;ximas elei&#231;&#245;es, como os outdoors em cada esquina do vilarejo se encarregavam de lembrar &#8212; deu uma entrevista ao jornal local sentado numa cadeira que havia pedido para ser filmada de baixo para cima.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; A viol&#234;ncia de g&#234;nero &#8212; disse ele, com a solenidade de quem anuncia o fim de uma guerra &#8212; acabou neste vilarejo. N&#227;o porque as pessoas melhoraram. Mas porque n&#243;s legislamos. Aprovamos a Lei 1.247, a Resolu&#231;&#227;o 89-B, o Decreto Municipal de Equidade Sonora, o Plano Decenal, o Plano Bienal, e o Protocolo de Revis&#227;o do Plano Bienal. A lei protege. A lei educa. A lei transforma.</p><p style="text-align: justify;">O rep&#243;rter perguntou sobre o caso do motorista de &#244;nibus preso por n&#227;o escutar do lado esquerdo.</p><p style="text-align: justify;">Clebson Direitos ajustou a gravata.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Isso &#8212; disse ele &#8212; &#233; a lei funcionando.</p><p style="text-align: justify;">Do lado de fora do est&#250;dio, atrav&#233;s de um vidro, o Dr. Eustaquiano Nobreza assistia &#224; entrevista com um hot-dog na m&#227;o direita e uma express&#227;o de algu&#233;m que estava presente no corpo mas em outro lugar no esp&#237;rito. O hot-dog estava com mostarda. O Dr. Eustaquiano Nobreza estava com os processos de Esqueraldo e Diraldo na pasta h&#225; tr&#234;s semanas, intocados, aguardando um momento de concentra&#231;&#227;o que ainda n&#227;o havia chegado.</p><p style="text-align: justify;">Deu uma mordida.</p><p style="text-align: justify;">Continuou assistindo.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio saiu depois de quarenta dias, por conta de um habeas corpus obtido pela ACODESL, que havia contratado &#224;s pressas um advogado jovem e entusiasmado que cobrava pouco porque queria o caso no curr&#237;culo.</p><p style="text-align: justify;">Saiu diferente.</p><p style="text-align: justify;">Saiu caolho dos dois olhos. Surdo dos dois ouvidos. Caminhava devagar, com a aten&#231;&#227;o voltada para dentro, como algu&#233;m que havia descoberto um sistema de navega&#231;&#227;o alternativo &#8212; o cheiro da chuva chegando, a vibra&#231;&#227;o do asfalto, o peso do vento quando muda de dire&#231;&#227;o sem avisar.</p><p style="text-align: justify;">O presidente da ACODESL o esperava na cal&#231;ada com um abra&#231;o e uma express&#227;o que misturava solidariedade genu&#237;na com um problema administrativo delicado.</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Anfil&#243;quio &#8212; disse ele, com cuidado &#8212;, voc&#234; sabe que a gente o apoia completamente. Sempre. Mas tecnicamente... voc&#234; agora n&#227;o &#233; mais caolho de um lado s&#243;. &#201; dos dois. E surdo de um lado s&#243; tamb&#233;m n&#227;o &#233;. &#201; dos dois. Isso coloca voc&#234; numa categoria diferente. Voc&#234; entende que &#233; uma quest&#227;o estatut&#225;ria, n&#227;o pessoal.</p><p style="text-align: justify;">Anfil&#243;quio ficou em sil&#234;ncio por um momento. O sol batia no rosto com uma clareza que ele percebia agora de outro modo &#8212; pelo calor, pela dire&#231;&#227;o, pela sombra que o chap&#233;u fazia, devolvido pelo vizinho sem dobrar a aba, como pedido.</p><p style="text-align: justify;">O presidente se despediu com aperto de m&#227;o, depois de passar meia hora falando da sua luta pela dignidade dos caolhos. Anfil&#243;quio balan&#231;ava a cabe&#231;a por educa&#231;&#227;o, j&#225; que agora encontrava-se em outra categoria - surdo dos dois ouvidos.</p><p style="text-align: justify;">Por fim, foi embora pela cal&#231;ada, devagar e direto, como algu&#233;m que havia perdido os sentidos e, no processo, encontrado alguma outra coisa que ainda n&#227;o tinha nome mas que pesava menos do que tudo que havia carregado antes.</p><p style="text-align: center;">---</p><p style="text-align: justify;"><em>A lei ainda existe. O cargo de motorista segue vago. A ACODESL e a ACODESRD est&#227;o em negocia&#231;&#245;es para um congresso conjunto de reconcilia&#231;&#227;o, mas n&#227;o chegam a acordo sobre em qual lado do audit&#243;rio deve ficar o palco. O skate de Fluid&#243;rio foi indenizado com recursos do fundo municipal de acessibilidade. Os casos de Esqueraldo e Diraldo aguardam parecer. O Dr. Eustaquiano Nobreza est&#225; em f&#233;rias.</em></p><p style="text-align: justify;"><em>Clebson Direitos venceu as elei&#231;&#245;es com 61% dos votos. No primeiro dia de mandato, anunciou uma lei de prote&#231;&#227;o integral aos caolhos dos dois olhos e surdos dos dois ouvidos &#8212; em homenagem ao caso Anfil&#243;quio, que havia comovido o vilarejo e que rendia bem em discurso.</em></p><p style="text-align: justify;"><em>Algu&#233;m foi at&#233; Anfil&#243;quio para contar a novidade.</em></p><p style="text-align: justify;"><em>Ele n&#227;o escutou.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[PENTÁGONO DE HOLLYWOOD: QUANDO A ESTÉTICA MILITAR SUBSTITUI A LOGÍSTICA REAL ]]></title><description><![CDATA[Coluna: Di&#225;rio do Front - Por Omar Marx Weiller Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/pentagono-de-hollywood-quando-a-estetica</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/pentagono-de-hollywood-quando-a-estetica</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 10 Apr 2026 08:02:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/76974240-cd9f-4399-963c-40bd9f93681a_2048x2048.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>A GUERRA QUE J&#193; COME&#199;OU E O COLAPSO QUE NINGU&#201;M EST&#193; MEDINDO</h3><p style="text-align: justify;">Se a guerra total que j&#225; estourou no Oriente M&#233;dio persistir al&#233;m dos pr&#243;ximos 18 meses &#8212; e toda a evid&#234;ncia geopol&#237;tica aponta para exatamente isso &#8212; a amea&#231;a que mata 8 bilh&#245;es de pessoas n&#227;o ser&#225; um m&#237;ssil perdido atravessando um continente. A verdadeira amea&#231;a &#233; estrutural, invis&#237;vel, e j&#225; est&#225; sendo ignorada por quem deveria estar pensando em log&#237;stica: o colapso gradual da capacidade de alimentar a humanidade atrav&#233;s da desorganiza&#231;&#227;o das cadeias de suprimento de energia e fertilizantes.</p><p style="text-align: justify;">Isso n&#227;o &#233; um cen&#225;rio de fic&#231;&#227;o cient&#237;fica. &#201; uma an&#225;lise estrutural de um conflito que j&#225; come&#231;ou e cuja persist&#234;ncia no tempo est&#225; gerando fraturas em sistemas que sustentam a sobreviv&#234;ncia de bilh&#245;es. O que distingue esta guerra de todas as anteriores &#233; que sua dura&#231;&#227;o &#8212; n&#227;o sua intensidade &#8212; &#233; a arma real.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto os notici&#225;rios focam em contadores de m&#237;sseis e an&#225;lises de &#8220;vencedor militar&#8221;, os pre&#231;os dos fertilizantes est&#227;o subindo silenciosamente. As rotas mar&#237;timas est&#227;o sendo renegociadas. Os seguros est&#227;o ficando mais caros. E ningu&#233;m &#8212; absolutamente ningu&#233;m no alto comando ocidental &#8212; est&#225; fazendo as contas de quanto tempo leva para um sistema alimentar global desorganizar.</p><p style="text-align: justify;">A resposta &#233;: menos tempo do que voc&#234; acha.</p><p style="text-align: justify;">Durante d&#233;cadas, a superpot&#234;ncia americana atuou como o grande fiador do livre com&#233;rcio global. O d&#243;lar era moeda de reserva incontest&#225;vel. Manter as rotas abertas e seguras para todo mundo era neg&#243;cio altamente lucrativo. Fazia sentido financeiro: policial global = lucro global.</p><p style="text-align: justify;">Mas &#224; medida que o d&#243;lar perde for&#231;a &#8212; com outras na&#231;&#245;es criando rotas alternativas, negociando em moedas locais, em ouro &#8212; o incentivo para policiar os oceanos pacificamente desaparece. A an&#225;lise do professor Diang sobre esse embate &#233; cristalina: os Estados Unidos est&#227;o passando a atuar quase como um estado mafioso no controle dos oceanos. Em vez de garantir o fluxo livre, a estrat&#233;gia agora seria lucrar com o estrangulamento desse fluxo.</p><p style="text-align: justify;">O modelo muda de patrulha global para controle de catracas. N&#227;o precisa mais ter navio em cada canto do oceano. Basta dominar aqueles pontos geogr&#225;ficos por onde o com&#233;rcio mundial &#233; obrigado a passar: Canal do Panam&#225;, Greenland (com o gelo derretendo), &#193;rtico, Estreito de Ormuz, Estreito de Malaca.</p><p style="text-align: justify;">A guerra que come&#231;ou n&#227;o &#233; sobre territ&#243;rio. &#201; sobre quem controla os gargalos f&#237;sicos que alimentam o planeta.</p><p style="text-align: justify;">E enquanto ela persiste, a matem&#225;tica silenciosa de um colapso agr&#237;cola est&#225; sendo escrita em spreads heets que ningu&#233;m est&#225; lendo.</p><div><hr></div><h3>O PARADOXO DA VIT&#211;RIA M&#218;TUA &#8212; AMBOS OS LADOS PODEM VENCER</h3><p style="text-align: justify;">A conclus&#227;o mais perturbadora de qualquer an&#225;lise s&#233;ria sobre um conflito EUA-Ir&#227; &#233; tamb&#233;m a mais incompreendida: ambos os lados podem vencer simultaneamente porque seus objetivos n&#227;o entram em conflito. Parecem antag&#244;nicos. S&#227;o opostos. Mas n&#227;o s&#227;o excludentes.</p><p style="text-align: justify;">Os Estados Unidos querem destruir o Ir&#227; como na&#231;&#227;o vi&#225;vel. O objetivo &#233; claro, brutal e sem ambiguidade: desmantelar a infraestrutura civil, incentivar conflito &#233;tnico, balcanizar o territ&#243;rio, quebrar a economia. Um ultimato americano amea&#231;aria dizimar pontes, paralisar universidades, aniquilar usinas de energia. Devolver o pa&#237;s &#224; idade da pedra, como express&#227;o brutal usada na an&#225;lise.</p><p style="text-align: justify;">Pois bem. O Ir&#227;, por sua vez, teria objetivos diferentes. N&#227;o querem expulsar os EUA do planeta. Querem expulsar os EUA do Oriente M&#233;dio. Criar uma dissuas&#227;o real contra Israel. Reestruturar a economia global para beneficiar suas rotas de com&#233;rcio.</p><p style="text-align: justify;">A genialidade sombria est&#225; aqui: esses objetivos n&#227;o s&#227;o excludentes.</p><p style="text-align: justify;">&#201; totalmente poss&#237;vel que o Ir&#227; termine completamente em ru&#237;nas &#8212; o que seria declarado como vit&#243;ria americana &#8212; enquanto o custo log&#237;stico de manter essa guerra faria a presen&#231;a americana no Oriente M&#233;dio acabar (vit&#243;ria iraniana).</p><p style="text-align: justify;">Basicamente, estamos assistindo a um jogo de galinha automobil&#237;stico onde os dois carros v&#227;o cair do precip&#237;cio. A pista acabou. Mas enquanto eles est&#227;o em queda livre, os dois motoristas est&#227;o no volante comemorando a vit&#243;ria.</p><p style="text-align: justify;">O perigo dessas ilus&#245;es geradas pelas narrativas &#233; muito real. A m&#237;dia ocidental passou meses durante a guerra na Ucr&#226;nia repetindo que a vit&#243;ria era iminente. Ao se basearem s&#243; na imagem &#8212; na est&#233;tica da resist&#234;ncia, no discurso &#233;pico &#8212; os americanos continuam dobrando a aposta, acreditando que falta s&#243; mais um dia para o Ir&#227; se render.</p><p style="text-align: justify;">Falta perceber que ambos podem estar certos. E ambos podem estar errados.</p><p style="text-align: justify;">Mas enquanto isso, as estruturas silenciosas que alimentam a humanidade est&#227;o sendo erodidas.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;">Refletimos sobre estrat&#233;gias da guerra no texto: </p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;790c3450-a795-4bdf-b209-02cce8297d5a&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Resolvi brindar nossos leitores com uma an&#225;lise sobre o conflito de grandes propor&#231;&#245;es entre Estados Unidos e Ir&#227; que j&#225; est&#225; em andamento. Usamos a Teoria dos Jogos, uma forma de analisar disputas, para explicar as t&#225;ticas de cada lado. A an&#225;lise sugere que o assassinato do l&#237;der iraniano, Aiatol&#225; Khamenei, foi o estopim de uma guerra que pode mudar o&#8230;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;md&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Guerra EUA-Ir&#227;: As Estrat&#233;gias de Ataque e Defesa de Cada Lado&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:235376576,&quot;name&quot;:&quot;A gazeta do absurdo&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Coluna semanal para quem cansou do jornalismo de assessoria. Analiso o Brasil com o pessimismo que exige. Se busca realidade nua e ridicularizada, bem-vindo. &quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e1181fb5-e7db-4df6-8916-51fa66399196_1024x1024.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2026-03-04T20:56:28.412Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:null,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/guerra-eua-ira-as-estrategias-de&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:189918264,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:0,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:7428498,&quot;publication_name&quot;:&quot;Substack de A gazeta do absurdo&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div></div><div><hr></div><h3>OS GARGALOS F&#205;SICOS &#8212; POR QUE FERTILIZANTE &#201; MAIS IMPORTANTE QUE M&#205;SSEIS</h3><p style="text-align: justify;">Aqui &#233; onde a an&#225;lise vira do avesso tudo que presumimos sobre conflitos geopol&#237;ticos modernos.</p><p style="text-align: justify;">O foco n&#227;o &#233; contar tanques ou tra&#231;ar linhas no mapa. O objetivo &#233; entender algo que passa desapercebido para quase todo mundo que n&#227;o trabalha com produ&#231;&#227;o de alimentos: a humanidade, na verdade, come derivados de combust&#237;veis f&#243;sseis que s&#227;o transformados em nitrog&#234;nio.</p><p style="text-align: justify;">Essa &#233; a mec&#226;nica invis&#237;vel da nossa sobreviv&#234;ncia.</p><p style="text-align: justify;">Atrav&#233;s do processo de Haber-Bosch, o g&#225;s natural &#233; convertido em am&#244;nia, que &#233; basicamente a base para os fertilizantes sint&#233;ticos. A matem&#225;tica &#233; brutal: o planeta Terra hoje s&#243; consegue sustentar 8 bilh&#245;es de pessoas por causa dessa inje&#231;&#227;o artificial de nutrientes no solo.</p><p style="text-align: justify;">Se tirar isso, tudo cai.</p><p style="text-align: justify;">A an&#225;lise apresenta um n&#250;mero que deveria fazer qualquer investidor em <em>agribusiness</em> ficar acordado &#224; noite: se o acesso a essa matriz energ&#233;tica no Golfo for cortado, a capacidade natural da Terra de gerar alimentos despenca para 1 a 2 bilh&#245;es de indiv&#237;duos.</p><p style="text-align: justify;">&#201; uma queda livre. Praticamente a elimina&#231;&#227;o da capacidade de sustentar 80% da vida humana atual.</p><p style="text-align: justify;">O resultado direto seria uma fome catastr&#243;fica, atingindo primeiro e com muito mais for&#231;a a &#193;frica e o Sul da &#193;sia. Mas n&#227;o pararia a&#237;.</p><div><hr></div><p></p><div class="callout-block" data-callout="true"><h1 style="text-align: justify;">O mercado precifica planilhas. N&#243;s precificamos a f&#237;sica. Ler este texto n&#227;o protege seu patrim&#244;nio.</h1><h1 style="text-align: justify;">Na Coluna &#8220;O N&#243;&#8221;, transformo esses dados em auditoria de risco e teses de investimento reais.</h1><h1 style="text-align: justify;">Operar no escuro regulat&#243;rio n&#227;o &#233; risco, &#233; neglig&#234;ncia.</h1><p><strong>&#128073; Digite seu e-mail abaixo para destravar a Coluna O N&#243;. Intelig&#234;ncia acion&#225;vel, zero ru&#237;do.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: center;"><strong>Assine a Coluna N&#243; e saiba onde est&#227;o os gargalos do mundo para ganhar dinheiro</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?coupon=18c5055a&amp;utm_content=193710151&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Obtenha 7 day free trial&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?coupon=18c5055a&amp;utm_content=193710151"><span>Obtenha 7 day free trial</span></a></p></div><div><hr></div><h1 style="text-align: justify;">&#128274; [CONTE&#218;DO EXCLUSIVO PARA ASSINANTES PAGANTES] &#128274;</h1><p></p>
      <p>
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ARACÁ PADAUIRI: 949 PESSOAS, 3,39 MILHÕES DE HECTARES E 142 PROCESSOS MINERÁRIOS]]></title><description><![CDATA[O mercado olha para o ouro. O capital global olha para o ni&#243;bio. Entenda a engenharia silenciosa que est&#225; fatiando a Amaz&#244;nia antes que vire manchete]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/araca-padauiri-949-pessoas-339-milhoes</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/araca-padauiri-949-pessoas-339-milhoes</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:42:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ede16a96-acc6-4599-bc29-0ff9eb593aba_1856x2304.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em 2025, a pr&#243;pria base p&#250;blica consultada informa que a Terra Ind&#237;gena Arac&#225; Padauiri tem 949 habitantes. Nos anexos territoriais, a incid&#234;ncia vis&#237;vel da &#225;rea sobre Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro soma 3.398.955,66 hectares &#8212; cerca de 33.989,56 km&#178;, uma &#225;rea maior que Sergipe.</p><p style="text-align: justify;">At&#233; aqui, isso j&#225; seria suficiente para chamar aten&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Mas h&#225; mais.</p><p style="text-align: justify;">Na m&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/araca-padauiri-949-pessoas-339-milhoes">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um café, uma crônica e Porto Alegre  ]]></title><description><![CDATA[Dizem que partir &#233; f&#225;cil.]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/um-cafe-uma-cronica-e-porto-alegre</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/um-cafe-uma-cronica-e-porto-alegre</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 27 Mar 2026 17:28:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fwvY!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fda0af4c1-459d-430c-992d-667c9ec898b0_1254x1254.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que partir &#233; f&#225;cil. Eu j&#225; n&#227;o sei.</p><p>Estava indo embora de Porto Alegre. Carro na rua, mochila no banco de tr&#225;s, a chave na igni&#231;&#227;o. Aquela sensa&#231;&#227;o de dever cumprido que a gente inventa para n&#227;o ter que encarar o que fica &#8212; uma manobra, talvez, para n&#227;o sentir o peso de um lugar que a gente aprendeu a amar sem perceber. Mas os p&#233;s j&#225; haviam decidido antes de mim. Pararam sozinhos no primeiro sinal. N&#227;o foi compromisso, nem promessa. Foi uma mem&#243;ria que insistia em ser vista, dessas que a gente empurra para o fundo da gaveta, mas que uma hora resolve sair sem pedir licen&#231;a.</p><p>Desliguei o motor. Desci. Atravessei a cal&#231;ada como quem volta no tempo.</p><p>O lugar tinha cara de quem aprendeu a se reinventar: mesas de madeira, luz baixa, o ru&#237;do confort&#225;vel de x&#237;caras tocando pires. O cheiro de caf&#233;, denso, quase l&#237;quido, tentava preencher cada fenda, cobrir com do&#231;ura o que um dia foi dureza. Mas as paredes &#8212; essas n&#227;o se enganam, essas guardam &#8212; ainda seguravam outra coisa. Uma mem&#243;ria mais antiga. Mais pesada. Mais necess&#225;ria.</p><p>Ali, onde agora se serve caf&#233; com leite, um dia se serviu outra coisa: resist&#234;ncia.</p><p>Foi em 1961. Leonel Brizola. Nos por&#245;es que hoje abrigam encontros casuais, um homem de fala grossa e m&#227;os firmes guardava a certeza de que um povo n&#227;o se curva. Dep&#243;sito de muni&#231;&#227;o, diziam. Fuzis Mosin&#8211;Nagant, dos que o Rio Grande herdara da Revolu&#231;&#227;o de 30. Armas de cano longo, alma estriada, que um dia apontaram para o mesmo horizonte que hoje v&#234; passar os carros da Avenida Borges de Medeiros. Ali, onde agora se pede um expresso com pressa, um dia a hist&#243;ria armou suas trincheiras. E o ch&#227;o, que hoje sustenta mesas, um dia sustentou homens que n&#227;o sabiam se voltariam para casa.</p><p>O espa&#231;o que hoje &#233; caf&#233; um dia foi trincheira. E isso, as paredes n&#227;o esquecem. Nem eu.</p><p>Porto Alegre tem dessas coisas. &#201; uma cidade que guarda dentro de si as pr&#243;prias contradi&#231;&#245;es, como quem carrega feridas antigas sem nunca ter aprendido a cicatrizar de todo. Ali, naquele caf&#233;, o peso da hist&#243;ria ainda se sente no ch&#227;o. &#201; um lugar que nos lembra que a liberdade teve pre&#231;o, e que esse pre&#231;o foi pago com m&#227;os, com suor, com medo, com coragem. Mas atravesse a Rua da Alf&#226;ndega &#8212; apenas atravesse &#8212; e encontrar&#225; outro caf&#233;.</p><p>De paredes rosas. Que flutua.</p><p>Parece mentira, mas n&#227;o &#233;. H&#225; um caf&#233; ali que desobedece &#224; gravidade. Talvez porque tenha sido frequentado por M&#225;rio Quintana, e ele tenha ensinado &#224;s paredes o segredo de n&#227;o se render ao peso do mundo. O velho poeta, que morou em hot&#233;is, que traduziu Proust enquanto o tempo passava l&#225; fora, que aprendeu cedo que a vida &#233; feita de pequenas eternidades. Ele sabia. Sabia que um caf&#233; pode ser uma trincheira e pode ser um voo. &#192;s vezes, o mesmo caf&#233;. &#192;s vezes, um caf&#233; do lado do outro.</p><p>Os dois lugares s&#227;o Porto Alegre. O que pesa e o que flutua. O que lembra e o que sonha. O que guarda fuzis no por&#227;o e o que guarda versos nas paredes. E a cidade inteira, talvez, seja esse movimento de ir e voltar entre um e outro &#8212; entre o ch&#227;o que sustenta e o ch&#227;o que some.</p><p>Por isso, se um dia quiser me encontrar, n&#227;o me convide para um vinho em rooftop com vista para o &#243;bvio. N&#227;o me chame para um lugar onde tudo &#233; bonito e nada d&#243;i. Me chame para um caf&#233;. Qualquer um. Do lado de c&#225; ou do lado de l&#225; da Alf&#226;ndega. Me chame para sentar perto da parede, escutar o que essas pedras ainda t&#234;m para dizer, e lembrar que a gente tamb&#233;m &#233; feito desses dois lados: o que carrega peso e o que aprende a flutuar.</p><p>Porque voltar, &#224;s vezes, &#233; o &#250;nico jeito de entender que nunca se partiu de verdade.</p><p>E, se a gente prestar aten&#231;&#227;o, talvez ainda ou&#231;a Quintana sussurrando do outro lado do balc&#227;o &#8212; ele que sabia que a leveza &#233; uma escolha, e que escolher &#233; o &#250;nico jeito de n&#227;o ser levado pelo tempo:</p><p>"Eles passar&#227;o, eu passarinho."</p><p>Enquanto o tempo, teimoso, continua sendo apenas um lugar onde a gente aprende a demorar. E a voltar. E a ficar, mesmo quando vai.</p><div><hr></div><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;">A hist&#243;ria deixa rastros nas paredes, o futuro deixa rastros na infraestrutura.</p><p style="text-align: justify;">Se voc&#234; chegou at&#233; o final desta cr&#244;nica, &#233; porque n&#227;o se contenta com a superf&#237;cie das coisas. Na Gazeta do Absurdo, eu uso essa mesma exig&#234;ncia por profundidade para dissecar o que est&#225; por tr&#225;s das narrativas globais: a geopol&#237;tica, o Colonialismo 4.0 e os limites f&#237;sicos do nosso tempo.</p><p style="text-align: justify;">&#128073; Digite seu e-mail abaixo para assinar a Gazeta e receber ensaios que destrincham a estrutura do mundo real. <em><br></em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A mesa dos meus pais, o Brasil da calça arriada e o Galo de Rinha]]></title><description><![CDATA[Coluna: O arquiteto - Por Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-mesa-dos-meus-pais-o-brasil-da</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-mesa-dos-meus-pais-o-brasil-da</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 18:45:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b78e2d8a-00b6-4d3a-9c16-682b37edfef7_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Meus pais eram invis&#237;veis aos dados econ&#244;micos. Eram a classe m&#233;dia pobre &#8212; aquela que n&#227;o aparece em pesquisa, n&#227;o tem padrinho em Bras&#237;lia, n&#227;o tem sobrenome que abre portas em tribunais superiores. Criaram filhos com o que tinham. Com o que n&#227;o tinham, remendaram. Adiaram. Aceitaram o m&#234;s longo. Mas na mesa nunca faltou arroz, feij&#227;o, carne. N&#227;o era banquete, mas era nosso.</p><p style="text-align: justify;">Naquela casa havia uma lei: s&#243; entrava o que eles pagavam. Meu pai dizia: de toler&#226;ncia em toler&#226;ncia, isso aqui vira uma casa de toler&#226;ncia. Minha m&#227;e concordava. Esse era o risco intranspon&#237;vel no nosso reino.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o era vaidade. Era a consci&#234;ncia de que a dignidade come&#231;a no soleiro da porta. O p&#227;o vinha do suor deles, n&#227;o da esmola de ningu&#233;m. Se a mesa estava posta, era porque eles colocaram cada prato ali. Tijolo por tijolo. Hora por hora. M&#234;s por m&#234;s.</p><p style="text-align: justify;">Meu pai morreu. Minha m&#227;e segue do mesmo jeito. Firme, &#237;ntegra, na lida. E ao ver o Brasil hoje, eu penso naquela frase que nunca precisou de gritaria para se estabelecer:</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Na nossa casa, s&#243; entra o que n&#243;s pagamos.</p><p style="text-align: justify;">Agora imagine: seu pai chega com carne extra, cerveja gelada. A fam&#237;lia senta. O cheiro de casa cheia com os filhos &#224; mesa. O pai feliz porque mais um dia conseguiu servir o alimento aos filhos. A m&#227;e feliz porque mais um dia v&#234; sua casa com mesa cheia e sua prole lambendo os dedos da galinhada que terminara de fazer.</p><p style="text-align: justify;">Mas a&#237; entra um vizinho &#8212; sem bater, sem pedir &#8212; suja o ch&#227;o rec&#233;m-lavado e joga um punhado de pipoca no ch&#227;o, achando se tratar de alimento para os ocupantes daquele reino, e come&#231;a a palpitar. Na cor da parede. No modelo da geladeira. No que pode ser servido na mesa. E pior: traz a tiracolo um fiscal engravatado, que nunca pisou no seu bairro, para dizer que a sua carne ofende a sensibilidade de quem janta caviar em Paris ou que ela n&#227;o tem o selo europeu de bem-estar animal.</p><p style="text-align: justify;">Pois &#233;.<br>O Brasil &#233; isso. Ou melhor: virou isso.</p><p style="text-align: justify;">Quem redesenha o curr&#237;culo das nossas crian&#231;as &#233; uma funda&#231;&#227;o americana que nunca pisou em escola p&#250;blica. Quem dita regras para a Amaz&#244;nia s&#227;o ONGs financiadas por governos que desmataram continentes inteiros antes de inventar consci&#234;ncia ambiental. Quem decide o que plantamos s&#227;o acordos costurados a dez mil quil&#244;metros. Quem decide onde alocamos nossa verba em sa&#250;de n&#227;o &#233; pol&#237;tica que elegemos, mas uma reuni&#227;o de marginais denominada de OSCIP ou OS &#8212; e o pior, com pareceres do Minist&#233;rio P&#250;blico pagos por n&#243;s.</p><p style="text-align: justify;">E n&#243;s arriamos as cal&#231;as.<br>Abrimos a porta.<br>Cedemos a cabeceira.<br>E agradecemos.</p><p style="text-align: justify;">Sim. O Brasil que trabalha, arrecada, entrega a alma nesse pa&#237;s escuta um bando de delinquente que fala numa segunda l&#237;ngua que aprendeu em tr&#234;s meses de FISK. Mas esses marginais n&#227;o est&#227;o numa moto segurando armas; apresentam-se bem arrumados e normalmente citando algum te&#243;rico do Atl&#226;ntico Norte.</p><p style="text-align: justify;">Ent&#227;o pergunto: por qu&#234;?</p><p style="text-align: justify;">A Ferrogr&#227;o, que levaria nosso gr&#227;o &#224; mesa do povo, que tiraria o pa&#237;s do atoleiro log&#237;stico, foi parada. Por quem? Por uma ONG americana &#8212; a Amazon Watch &#8212; de bra&#231;os dados com ONGs nacionais, travestidas de salvadoras da p&#225;tria, financiadas por d&#243;lares e euros. Elas entram no Supremo Tribunal Federal e pedem a suspens&#227;o da obra. E n&#243;s aceitamos.</p><p style="text-align: justify;">Aceitamos porque? At&#233; onde sei, trai&#231;&#227;o nacional cabe pena capital, mas n&#243;s aceitamos.</p><p style="text-align: justify;">Aceitamos porque o Brasil desistiu de si mesmo. Aceitamos que o pa&#237;s pare enquanto caminh&#245;es apodrecem na lama da BR-163 e o gr&#227;o apodrece no silo. E aplaudimos a &#8220;defesa do meio ambiente&#8221; de quem nunca sentiu o peso da lama entre os dedos, de quem nunca precisou escoar uma safra para pagar a conta de luz.</p><p style="text-align: justify;">Aceitamos esposas de ministros recebendo milh&#245;es em honor&#225;rios advocat&#237;cios em processos que tramitam nas mesmas cortes onde seus maridos despacham. Aceitamos filhos que mal t&#234;m carteira de motorista acumulando milh&#245;es em contratos suspeitos. Aceitamos que a corrup&#231;&#227;o mude de nome, vista toga, use vocabul&#225;rio rebuscado e nos chame de incivilizados quando reclamamos.</p><p style="text-align: justify;">Por isso meus pais nunca aceitaram esmolas. Sabiam: de toler&#226;ncia em toler&#226;ncia, isso aqui vira uma casa de toler&#226;ncia.</p><p style="text-align: justify;">ONGs e cocares viraram o novo lobby. Eles param o Brasil. E voc&#234; e eu pagamos a conta.</p><p style="text-align: justify;">Calma: antes que me acusem de ofensa a direitos humanos ou povos origin&#225;rios, redijo essa cr&#244;nica no modo antigo: boina, bota, bombacha, espora, guaiaca e faca. Leis estaduais, decretos e Constitui&#231;&#227;o me d&#227;o o mesmo reconhecimento que eles. A faca n&#227;o &#233; provoca&#231;&#227;o, apenas informa&#231;&#227;o: abaixo do Rio Uruguai h&#225; um povo, n&#227;o eunucos.</p><p style="text-align: justify;">O Brasil caminha para seu fim. E eu grito: por que permitimos?</p><p style="text-align: justify;">&#201; aqui que me lembro de um galo. N&#227;o de um galo qualquer. Desses de cacarejar. O meu galo &#233; outro. &#201; um que entra num tambor de luta pra morrer ou pra viver.</p><p style="text-align: justify;">Mas antes dele, lembro do meu pai.</p><p style="text-align: justify;">Meu pai nunca me falou de morte. Falou de Brizola, de Alberto Pasqualini, da Carta Testamento. Ensinou-me sobre Napole&#227;o, enquanto contava sobre a cavalaria de Bento Gon&#231;alves e dos Lanceiros de Neto. Falou de Gaspar de Silva Martins, Borges de Medeiros, Gumercindo Saraiva. Falou como a estirpe antes dele &#8212; meu av&#244; e outros &#8212; ora lutaram por Vargas, depois se entrincheiraram com os paulistas porque entenderam que Get&#250;lio abusou do poder dado. E pra essa estirpe de homem: o que &#233; certo &#233; certo, o que &#233; errado &#233; errado.</p><p style="text-align: justify;">Meu pai tamb&#233;m contou que t&#227;o logo acabou a confus&#227;o em terras paulistas, n&#227;o conseguiram se sentar pra tomar dois mates com a mulher. Porque em 23, Borges e Assis Brasil se desentenderam e outra peleia resultou num tiroteio no rio do F&#227;o, no vale do Taquari. E l&#225; estava a nossa estirpe. N&#227;o porque gostamos de guerra e confus&#227;o. Mas porque temos amor pr&#243;prio e sabemos que na nossa casa quem manda somos n&#243;s.</p><p style="text-align: justify;">Por isso eu entendo o que ele fez comigo. A primeira poesia que meu pai me deu, ainda crian&#231;a, para decorar foi sobre um galo de rinha. Jayme Caetano Braun escreveu sobre ele como quem escreve sobre a alma de um povo:</p><p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Como quem diz: n&#227;o me entrego. / Sou galo, morro e n&#227;o grito.&#8221;</em></p><p style="text-align: justify;">O galo entra no tambor &#8212; ensanguentado, quebrado, quase cego &#8212; e n&#227;o grita. N&#227;o pede tr&#233;gua. N&#227;o negocia. Peleia at&#233; o &#250;ltimo segundo.</p><p style="text-align: justify;">Braun via ali o espelho do homem do campo: que cai sem berro, que luta por ideal onde o galo luta por instinto. A diferen&#231;a, dizia o poeta: o pampeano tem causa. O galo tem apenas sangue.</p><p style="text-align: justify;">Mas eu pergunto: o que acontece quando o galo n&#227;o pode mais escolher sua rinha? Quando &#233; jogado em tambor que n&#227;o &#233; seu, por m&#227;os que n&#227;o s&#227;o suas, para brigar por regras que nunca entendeu?</p><p style="text-align: justify;">O galo ainda peleia. Porque altivez n&#227;o se negocia &#8212; nem com a lama, nem com formul&#225;rio de ONG, nem com carimbo de Genebra, nem com liminar de ministro que janta com os donos do poder.</p><p style="text-align: justify;">Mas o tambor n&#227;o &#233; mais dele.</p><p style="text-align: justify;">Essa &#233; a trag&#233;dia. N&#227;o &#233; que perdemos. &#201; que perdemos em jogo que n&#227;o era nosso, com &#225;rbitro que n&#227;o conhecemos, por regras que n&#227;o votamos.</p><p style="text-align: justify;">Meu pai, se vivo fosse, olharia para essa festa &#8212; vizinho metido em nossa sala, dinheiro com cabresto, o pa&#237;s de joelhos esperando b&#234;n&#231;&#227;o de estrangeiro, tribunais loteados por fam&#237;lias imperiais &#8212; e repetiria a frase. Baixo. Firme.</p><p style="text-align: justify;">Mas eu, hoje, completo o que a dignidade deles n&#227;o deixava gritar:</p><p style="text-align: justify;">&#8212; Na minha casa, s&#243; entra o que eu paguei. E palpite de quem n&#227;o paga a conta, eu mando tomar no cu.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o &#233; grosseria. &#201; a l&#237;ngua do galo em cada garra fincada no ch&#227;o: n&#227;o me dobras enquanto eu tiver sangue. &#201; o que meu pai dizia em cada prato posto com suor pr&#243;prio. &#201; o que minha m&#227;e dizia em cada gota de &#225;gua reaproveitada. &#201; o que o ga&#250;cho dizia arando com as pr&#243;prias m&#227;os, sem esperar que t&#233;cnico de Washington aprovasse seu sulco ou que a esposa de um juiz liberasse sua licen&#231;a.</p><p style="text-align: justify;">Dignidade n&#227;o tem formul&#225;rio. N&#227;o tem carimbo estrangeiro. N&#227;o tem condi&#231;&#227;o de repasse. N&#227;o tem foro privilegiado.</p><p style="text-align: justify;">A mesa &#233; nossa. O suor &#233; nosso. O tambor &#233; nosso.</p><p style="text-align: justify;">E a &#250;ltima palavra &#8212; como a &#250;ltima pena do galo &#8212; tamb&#233;m ser&#225;.</p><p style="text-align: justify;">Porque n&#243;s, como galo, somente morto que algu&#233;m h&#225; de nos dobrar a espinha. </p><p style="text-align: justify;">Fim.</p><div><hr></div><p><strong>A partir de agora</strong>, esta coluna far&#225; uma ode a quem merece. N&#227;o aos te&#243;ricos do nada que nada sabem e tudo palpitam l&#225; do Atl&#226;ntico Norte. Mas aos te&#243;ricos deste ch&#227;o. Que sabem o exato lugar de cada coisa n&#227;o porque leem mapas ou fotos de sat&#233;lites, mas porque caminham sobre este barro e colocam a m&#227;o neste ch&#227;o.</p><p>Pr&#243;xima coluna: Gujo Teixeira no Banquete de Plat&#227;o e quando, numa encruzilhada do mundo, tomou um mate e ajeitou o bra&#231;o quebrado de Ulises com um len&#231;o maragato, quando esse  voltava de Troia todo estrupiado. </p><div><hr></div><p>&#192; Jayme Caetano Braun. Homem que n&#227;o fez poesia para estante. Fez verso para quem tem a espora na perna, a alma no ch&#227;o e um povo inteiro na veia.<br><br>&#8221;Galo de Rinha&#8221;</p><p><br>Valente galo de rinha<br>Guasca vestido de penas!<br>Quando arrastas as chilenas<br>No tambor de um rinhedeiro<br>No teu &#237;mpeto guerreiro<br>Vejo um ga&#250;cho avan&#231;ando<br>Ensang&#252;entado, peleando<br>No calor do entreveiro!</p><p>Pois assim como tu lutas<br>Frente a frente, peito nu<br>Lutou tamb&#233;m o xir&#250;<br>Na conquista deste ch&#227;o<br>E como tu sem paix&#227;o<br>Em sil&#234;ncio ferro a ferro<br>Ca&#237;a sem dar um berro<br>De lan&#231;a firme na m&#227;o!</p><p>Evoco nesse teu sangue<br>Que brota rubro e selvagem<br>Respingando na serragem<br>Do teu peito descoberto<br>O guasca no campo aberto<br>De poncho feito em frangalhos<br>Quando riscava os atalhos<br>Do nosso destino incerto!</p><p>Deus te deu, como ao ga&#250;cho<br>Que jamais dobra o penacho<br>Essa altivez de &#237;ndio macho<br>Que ostentas j&#225; quando pinto<br>E a diferen&#231;a que sinto<br>&#201; que o guasca, bem ou mal!<br>S&#243; luta por um ideal<br>E tu brigas por instinto!</p><p>Por isso &#233; que numa rinha<br>Eu contigo sofro junto<br>Ao te ver quase defunto<br>De arrasto, quebrado e cego<br>Como quem diz: N&#227;o me entrego<br>Sou galo, morro e n&#227;o grito<br>Cumprindo o fado maldito<br>Que desde a casca eu carrego!</p><p>E ao te ver morrer peleando<br>No teu destino cruel<br>Sem dar nem pedir quartel<br>Rude ga&#250;cho emplumado<br>Meio triste, encabulado<br>Mil vezes me perguntei<br>Por que &#233; que n&#227;o me boleei<br>Pra morrer no teu costado?</p><p>Porque na rinha da vida<br>J&#225; me bastava um empate!<br>Pois cheguei no arremate<br>Batido, sem bico e torto<br>E s&#243; me resta o conforto<br>Como a ti, galo de rinha<br>Que se algu&#233;m dobrar-me a espinha<br>H&#225; de ser depois de morto. <br></p><div><hr></div><div class="callout-block" data-callout="true"><blockquote><p style="text-align: justify;"><strong>O galo peleia por instinto. N&#243;s precisamos pelear com m&#233;todo. A indigna&#231;&#227;o sem intelig&#234;ncia estrutural &#233; apenas barulho. Enquanto o Brasil aceita lutar em um tambor que n&#227;o &#233; seu, com regras ditadas pelo Atl&#226;ntico Norte, n&#243;s mapeamos a engenharia desse sequestro.</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong><br>Na Gazeta do Absurdo, eu uso o M&#233;todo de An&#225;lise com Lastro (MAL) para expor os donos da rinha, o </strong><em><strong>lawfare</strong></em><strong> ambiental e a mec&#226;nica do Colonialismo 4.0 que est&#225; paralisando o pa&#237;s.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>Se voc&#234; tem a alma no ch&#227;o e n&#227;o aceita a cal&#231;a arriada, junte-se aos que veem a estrutura.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>&#128073; Digite seu e-mail abaixo para assinar a Gazeta do Absurdo e receber nossas teses direto na sua caixa de entrada.</strong></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p></div><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Aguia Resources Limited (ASX: AGR) e o Fosfato gaúcho]]></title><description><![CDATA[Disclaimer: Este conte&#250;do tem car&#225;ter exclusivamente informativo e educacional, n&#227;o constituindo recomenda&#231;&#227;o, oferta ou indica&#231;&#227;o de compra ou venda de ativos financeiros. As an&#225;lises aqui apresentadas refletem estudos e interpreta&#231;&#245;es do autor, n&#227;o devendo ser utilizadas como base &#250;nica para tomada de decis&#227;o de investimento. Cada investidor deve realizar sua pr&#243;pria an&#225;lise e, se necess&#225;rio, consultar um profissional devidamente habilitado antes de investir.]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-aguia-resources-limited-asx-agr</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-aguia-resources-limited-asx-agr</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 20 Mar 2026 18:37:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9176768c-ea6d-4461-ad1d-6a7b529b0fb7_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Disclaimer:</strong><br>Este conte&#250;do tem car&#225;ter exclusivamente informativo e educacional, n&#227;o constituindo recomenda&#231;&#227;o, oferta ou indica&#231;&#227;o de compra ou venda de ativos financeiros. As an&#225;lises aqui apresentadas refletem estudos e interpreta&#231;&#245;es do autor, n&#227;o devendo ser utilizadas como base &#250;nica para tomada de decis&#227;o de investimento. Cada investidor deve realizar sua pr&#243;pria an&#225;lise e, se necess&#225;rio, consultar um profissional devidamente habilitado antes de investir.</p><div><hr></div><p><strong>AN&#193;LISE DETALHADA: PROJETO TR&#202;S ESTRADAS (RS) - AGUIA RESOUCES.</strong></p><blockquote><p><strong>O M&#233;todo do Gargalo F&#237;sico</strong></p><p><strong>Para: Assinantes do &#8220;Gazeta do Absurdo&#8221;</strong></p><p><strong>De: Editor Chefe Gazeta - Omar Marx Weiller Albuquerque</strong></p><p><strong>Data: 20 de mar&#231;o 2026</strong></p><p><strong>Assunto: Tese de Investimento com basa na tese da Economia Ciber-F&#237;sico</strong></p><p><strong>Pre&#231;o Atual: </strong>0,020 AUD<strong> (Atualizado em 20/03/2026</strong></p></blockquote><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>RESUMO EXECUTIVO</strong></p><p style="text-align: justify;">A Aguia Resources Limited (ASX: AGR) &#233; uma empresa de minera&#231;&#227;o multi-commodity com opera&#231;&#245;es divididas entre o Brasil (fosfato e cobre) e a Col&#244;mbia (ouro e cobre). A empresa encontra-se em um momento de inflex&#227;o cr&#237;tica: est&#225; a semanas de iniciar a produ&#231;&#227;o comercial de fosfato no Brasil, enquanto tenta otimizar sua produ&#231;&#227;o de ouro na Col&#244;mbia.</p><p style="text-align: justify;">No entanto, a tese de investimento &#233; severamente pressionada por uma combina&#231;&#227;o de caixa restrito e riscos geopol&#237;ticos agudos na Col&#244;mbia, incluindo a recente escalada de tens&#245;es militares na fronteira com o Equador e o aumento da viol&#234;ncia de grupos armados nas zonas</p><p style="text-align: justify;">de opera&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">&#128680; ALERTA CR&#205;TICO: A empresa contratou a Alpine Capital em fevereiro de 2026 para uma nova rodada de capta&#231;&#227;o de recursos, evidenciando necessidade urgente de liquidez para sustentar suas opera&#231;&#245;es at&#233; que o fluxo de caixa do projeto brasileiro se materialize &#8211; provavelmente busca dar f&#244;lego no caixa que anda espremido.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">O projeto Tr&#234;s Estradas &#233; a opera&#231;&#227;o mais cr&#237;tica para a Aguia Resources. &#201; a &#250;nica fonte de fluxo de caixa que pode salvar a empresa da insolv&#234;ncia. A produ&#231;&#227;o est&#225; marcada para maio de 2026 (6 semanas), ap&#243;s comissionamento da planta no final de abril. O mercado de fosfato est&#225; em escassez global com pre&#231;os elevados, criando uma janela de oportunidade &#250;nica.</p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><strong>ASSINE PARA CONTINUAR LENDO</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p>
      <p>
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      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[TERRA À VENDA - COM SELO DE APROVAÇÃO EUROPEU. ]]></title><description><![CDATA[A ind&#250;stria da "prote&#231;&#227;o" na Amaz&#244;nia. Coluna: O arquiteto - Por Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/terra-a-venda-com-selo-de-aprovacao</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/terra-a-venda-com-selo-de-aprovacao</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 18 Mar 2026 22:23:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oA6y!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcadd6943-f4f4-42c8-a852-263b0a426e39_1344x768.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oA6y!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcadd6943-f4f4-42c8-a852-263b0a426e39_1344x768.jpeg" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p style="text-align: justify;">Em 1987, um grupo de 30 pessoas foi contatado pela FUNAI no sudoeste do Par&#225;. Eram descendentes de uma &#250;nica mulher: Tjibi&#233; Arara. Trinta pessoas. Uma fam&#237;lia extensa. Hoje, essa mesma &#225;rea tem 733 mil hectares oficialmente reconhecidos como Terra Ind&#237;gena, com 1.900 habitantes e 8 processos miner&#225;rios ativos.</p><p style="text-align: justify;">A pergunta que este texto responde &#233; simples: <strong>como uma fam&#237;lia de 30 pessoas se tornou propriet&#225;ria de uma &#225;rea do tamanho de Sergipe &#8211; e por que ONGs financiadas por governos europeus pagam a conta?</strong></p><p style="text-align: justify;">Para entender isso, &#233; preciso primeiro entender o que &#233; uma ONG &#8211; e, mais importante, <strong>o que ela se tornou no Brasil</strong>.</p><p style="text-align: justify;">Juridicamente, uma Organiza&#231;&#227;o N&#227;o Governamental &#233; uma entidade privada, sem fins lucrativos, aut&#244;noma em rela&#231;&#227;o ao Estado, que atua em causas de interesse p&#250;blico. Nasceu como contrapoder, como voz da sociedade civil onde o mercado e o Estado n&#227;o chegavam. Tinha como objetivo politicar e instrumentalizar o poder civil Seria quase um projeto de desaien&#231;&#227;o popular. Eu disse quase. </p><p style="text-align: justify;">Mas no Brasil, por vezes penso que alteraram a sem&#226;ntica das palavras e ningu&#233;m me avisou. Aqui, o &#8220;n&#227;o&#8221; virou &#8220;sim&#8221;. O &#8220;pode&#8221; virou &#8220;n&#227;o pode&#8221;. E o &#8220;n&#227;o pode&#8221; virou &#8220;pode, mas s&#243; se for com a nossa ben&#231;&#227;o&#8221;.</p><p style="text-align: justify;">Aqui, a <strong>organiza&#231;&#227;o N&#195;O governamental</strong> vive, em grande medida, <strong>das expensas da administra&#231;&#227;o p&#250;blica</strong> &#8211; direta ou indiretamente. Conv&#234;nios da FUNAI, contratos com minist&#233;rios, projetos financiados com dinheiro que sai do bolso do contribuinte brasileiro e entra no caixa de entidades que, em tese, deveriam ser aut&#244;nomas em rela&#231;&#227;o ao Estado. O n&#227;o aqui &#233; SIM.</p><p style="text-align: justify;">Ocorreu uma invers&#227;o perversa. A ONG n&#227;o &#233; mais contrapoder. Ela se tornou <strong>terceiro ator propriet&#225;rio</strong>.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o pede permiss&#227;o &#8211; ela ocupa.<br>N&#227;o representa &#8211; ela substitui.<br>N&#227;o complementa o Estado &#8211; ela <strong>se torna o Estado</strong>, com financiamento externo, sem passar por elei&#231;&#227;o, sem prestar contas &#224; sociedade brasileira, mas com poder de veto sobre o que pode ou n&#227;o acontecer em milh&#245;es de hectares da Amaz&#244;nia.</p><p style="text-align: justify;">E &#233; nesse territ&#243;rio &#8211; real e simb&#243;lico &#8211; que os casos de Cachoeira Seca e Tup&#227;-Sup&#233; deixam de ser exce&#231;&#245;es e passam a ser tratados como <strong>engenharia).</strong></p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">1<strong>. O MODELO DE NEG&#211;CIO: CONVERTER MIN&#201;RIO EM CAUSA</strong></p><p style="text-align: justify;">O mapa &#233; simples:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png" width="481" height="468.6332882273342" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:720,&quot;width&quot;:739,&quot;resizeWidth&quot;:481,&quot;bytes&quot;:76116,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/i/191388491?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4699b0c0-9038-4e37-9b0a-8d1130f096ad_1920x1019.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kymt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d9da4a8-9a93-4ddc-92b9-c492886fa26b_739x720.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p style="text-align: justify;"><strong>O insight brutal:</strong> A ONG n&#227;o est&#225; l&#225; para impedir a minera&#231;&#227;o. Ela est&#225; l&#225; para <strong>administrar o congelamento ou para validar uma Tribo falsamente criada</strong> at&#233; que os detentores originais dos direitos miner&#225;rios possam retomar ou para silenciar uma area nacional enquanto pilham o pa&#237;s. </p><p style="text-align: justify;"><strong>Aten&#231;&#227;o:</strong> n&#227;o estou falando de TODAS. Apenas levantando uma hip&#243;tese em raz&#227;o de um PADRAO que observei e ser&#225; semanalmente apresentado.</p><div><hr></div><h2 style="text-align: justify;"><strong>CASO 1:</strong></h2><h2 style="text-align: justify;"><strong>Tribo &#8220;CACHOEIRA SECA&#8221; - A TRIBO QUE NASCEU DO OURO</strong></h2><h3 style="text-align: justify;"><strong>1.1 O Territ&#243;rio</strong></h3><p style="text-align: justify;">A Terra Ind&#237;gena Cachoeira Seca tem <strong>733.688 hectares</strong>. Para dimensionar: &#233; maior que o estado de Sergipe (219.148 km&#178; vs. 733 km&#178; = Cachoeira Seca &#233; 3,3x maior).</p><p style="text-align: justify;">Nela vivem <strong>1.900 pessoas</strong> do povo Arara. Densidade: <strong>386 hectares por pessoa</strong>. Cada ind&#237;gena tem &#224; disposi&#231;&#227;o uma &#225;rea equivalente a <strong>540 campos de futebol</strong>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!rQtZ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b618bc8-ea2e-405c-8590-621d3cb7ccdc_798x414.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!rQtZ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b618bc8-ea2e-405c-8590-621d3cb7ccdc_798x414.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!rQtZ!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b618bc8-ea2e-405c-8590-621d3cb7ccdc_798x414.png 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p style="text-align: justify;">Fonte: <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3593#direitos">https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3593#direitos</a> </p><p style="text-align: justify;"></p><h3 style="text-align: justify;"><strong>1.2 A Origem: 30 Pessoas, Uma Mulher, Um Territ&#243;rio</strong></h3><p style="text-align: justify;">Em <strong>1987</strong>, a FUNAI fez contato oficial com um grupo de <strong>30 pessoas</strong> descendentes de uma &#250;nica mulher: <strong>Tjibi&#233; Arara</strong>. Trinta pessoas. Uma fam&#237;lia extensa. N&#227;o um &#8220;povo tradicional&#8221; no sentido antropol&#243;gico cl&#225;ssico.</p><p style="text-align: justify;">Um grupo isolado, sim, mas com popula&#231;&#227;o m&#237;nima e hist&#243;ria de ocupa&#231;&#227;o recente da regi&#227;o (a Transamaz&#244;nica cortou seu territ&#243;rio em 1972).</p><p style="text-align: justify;">O que aconteceu depois &#233; demogr&#225;ficamente suspeito: de <strong>30 (1987) para 1.900 (2025)</strong> &#8212; crescimento de <strong>6.233% em 38 anos</strong>. Isso &#233; biologicamente improv&#225;vel e estatisticamente imposs&#237;vel sem incorpora&#231;&#227;o massiva de n&#227;o-ind&#237;genas. Mas a &#8220;tribo&#8221; cresceu. E a &#225;rea permaneceu intacta.</p><p style="text-align: justify;">Quem s&#227;o esses 1900? N&#227;o tem informa&#231;&#227;o alguma.</p><p style="text-align: justify;">Mas como vivemos numa rep&#250;blica democr&#225;tica, resolvi bater os dados com as informa&#231;&#245;es eleitorais. Ora, se estamos aqui para defender e legitimar os povos origin&#225;rios, nada mais justo do que verificar quantos eleitores est&#227;o registrados na referida &#225;rea. Esperava, no m&#237;nimo, um n&#250;mero pr&#243;ximo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png" width="784" height="557" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:557,&quot;width&quot;:784,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:67732,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/i/191388491?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd1b6892a-15ab-49d0-b80c-8f296372555e_1920x1080.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LZv1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa98960e8-3c9f-4162-a667-54c9472943f2_784x557.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3><strong>O QUE N&#195;O FOI ENCONTRADO (AUS&#202;NCIA DE DADOS)</strong></h3><p>&#10060; <strong>N&#227;o h&#225; men&#231;&#227;o</strong> em nenhuma fonte oficial do TRE-PA sobre se&#231;&#245;es eleitorais <strong>dentro</strong> da TI Cachoeira Seca</p><p>&#10060; <strong>N&#227;o h&#225; dados</strong> sobre quantos eleitores ind&#237;genas Arara possuem t&#237;tulo eleitoral</p><p>&#10060; <strong>N&#227;o h&#225; informa&#231;&#227;o</strong> sobre locais de vota&#231;&#227;o espec&#237;ficos para a popula&#231;&#227;o ind&#237;gena da Cachoeira Seca</p><p>&#10060; <strong>N&#227;o consta</strong> em listas de se&#231;&#245;es eleitorais ind&#237;genas do Par&#225; (apenas 3 se&#231;&#245;es ind&#237;genas no PA mencionadas, sem especifica&#231;&#227;o de onde)</p><p></p><p style="text-align: justify;"><strong>TI Cachoeira Seca est&#225; situada entre tr&#234;s munic&#237;pios (Altamira, Placas e Uruar&#225;) &#8212; mas n&#227;o h&#225; nenhuma se&#231;&#227;o eleitoral dentro da terra ind&#237;gena.</strong></p><p style="text-align: justify;">O que nos leva a outra conclus&#227;o: a <strong>incompet&#234;ncia dessas ONGs &#233; dolorosa</strong>. Dois CNPJs. Duas estruturas. Provavelmente um monte de telefone e gente contratada &#8212; e n&#227;o conseguem administrar e representar 1.900 pessoas. Isso &#233; menos gente que um boteco na cidade de S&#227;o Paulo.</p><p style="text-align: justify;">Ali&#225;s, at&#233; onde sei, &#237;ndio &#233; cidad&#227;o. E se &#233; cidad&#227;o, tem direito de votar. Ou o objetivo &#233; <strong>n&#227;o dar voz mesmo</strong>?</p><p style="text-align: justify;">Mas seguimos. Porque o que &#233; ruim sempre piora.</p><div><hr></div><h2 style="text-align: center;"><strong>Assine R$ 33/m&#234;s para continuar</strong></h2><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p>
      <p>
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      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Cardápio e o Tratado]]></title><description><![CDATA[Ou como aprendi sobre o amor (e tapas) fechando o card&#225;pio]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-cardapio-e-o-tratado</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/o-cardapio-e-o-tratado</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Sun, 15 Mar 2026 22:05:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/199f7ceb-35b4-4685-9698-524cd4d6a954_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Coluna: O Cronista. Por Omar Albuquerque</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Entrei num bar de tapas em Madrid h&#225; alguns anos e ali, entre <em>Jam&#243;n ib&#233;rico</em> e tintos de <em>Veranos</em>, entendi tudo sobre como vamos nos devorando uns aos outros.</p><p style="text-align: justify;">O card&#225;pio era um livro. Literalmente. Vinte p&#225;ginas de pequenas por&#231;&#245;es &#8212; <em>croquetas, pimientos, pulpo, queijo manchego, tortilha, bravas, alm&#244;ndegas, anchovas, presunto, presunt</em>o e mais presunto. Cada item com sua foto primorosa, sua descri&#231;&#227;o sedutora. <em>&#8220;O melhor de La Mancha&#8221;</em>, prometia um. <em>&#8220;Receita da av&#243; since 1954&#8221;</em>, garantia outro. E eu sentado ali, com fome de verdade, gastando quarenta minutos folheando aquele catedral de possibilidades enquanto a mesa ao lado &#8212; a que chegara vinte minutos depois de mim &#8212; j&#225; sorvia seus terceiros drinques.</p><p style="text-align: justify;">Quando finalmente escolhi (<em>croquetas de jam&#243;n,</em> obrigat&#243;rias;<em> pulpo, arriscado</em>; e uma <em>tortilha</em> que me lembrava de algo que n&#227;o conseguia nomear), o gar&#231;om anunciou: <em>&#8220;Acabou o pulpo&#8221;</em>. Claro que acabara. Enquanto eu comparava fotos, outros comiam.</p><p style="text-align: justify;">Pedi de novo. Folheei de novo. E na segunda escolha, j&#225; n&#227;o tinha certeza. Ser&#225; que n&#227;o deveria ter pedido as bravas? O casal na minha frente parecia feliz com as bravas. Muito feliz. Inaceitavelmente feliz.</p><p>Comi o que pedi sem saborear direito. Estava ocupado demais imaginando como teria sido melhor &#8212; o <em>pulpo</em> que n&#227;o havia, ou mesmo as anchovas ao presunto. Comi o prato pensando nos outros que o card&#225;pio me oferecia.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Hoje nos conhecemos todos na <strong>Tela</strong>.</p><p style="text-align: justify;">A <strong>Tela</strong> &#233; nosso territ&#243;rio de in&#237;cio de prosa. &#201; onde o olhar primeiro acontece, onde a frase inicial &#233; ensaiada, apagada, reescrita, enviada com dois minutos de <em>delay</em> para n&#227;o parecer muito interessado. A <strong>Tela</strong> &#233; um ecr&#227;, &#233; um feed, &#233; uma fila infinita de rostos que podem ser descartados com o movimento de um polegar para a esquerda &#8212; ou guardados para sempre na cole&#231;&#227;o de &#8220;matches&#8221; que nunca viraram conversas.</p><p style="text-align: justify;">Na <strong>Tela</strong>, somos todos poeta e curador simultaneamente. Criamos nossos perfis como quem monta uma vitrine: aqui est&#225; o meu melhor &#226;ngulo, minha piada mais inteligente, minha viagem mais ex&#243;tica, minha profundidade suficiente para parecer misterioso mas n&#227;o tanto a ponto de assustar. E depois passamos horas na <strong>Tela</strong>, navegando pelo card&#225;pio humano, certos de que entre tantas op&#231;&#245;es, a escolha perfeita deve estar l&#225;. S&#243; precisamos rolar mais um pouco. </p><p style="text-align: justify;">O problema &#233; que na <strong>Tela</strong>, ningu&#233;m &#233; real. Somos todos promessas em potencial, vers&#245;es 2.0 de n&#243;s mesmos, fotos com boa ilumina&#231;&#227;o e biografias otimizadas para engajamento. E &#233; exatamente por isso que funciona t&#227;o bem. Ou t&#227;o mal.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Quando finalmente sa&#237;mos da <strong>Tela</strong> &#8212; quando o match vira n&#250;mero de telefone, o telefone vira caf&#233;, o caf&#233; vira beijo, o beijo vira cama &#8212; algo estranho acontece. Ou melhor: deixa de acontecer.</p><p style="text-align: justify;">As rela&#231;&#245;es n&#227;o se solidificam. N&#227;o porque n&#227;o haja qu&#237;mica, n&#227;o porque n&#227;o haja interesse. Mas porque, no exato momento em que estamos ali, nus e vulner&#225;veis com outra pessoa real de carne e osso, parte de n&#243;s ainda est&#225; na Tela. Ainda est&#225; rolando. Estamos ocupados demais imaginando como teria sido melhor o outro <em>match</em> &#8212; nos transformamos no pulpo, nas anchovas e nos presuntos n&#227;o pedidos do bar de tapas. </p><p style="text-align: justify;">Estamos sentados no restaurante olhando para quem est&#225; na nossa frente, mas mentalmente estamos imaginando. Imaginando o pr&#243;ximo match. A pr&#243;xima foto. A pr&#243;xima biografia que promete ser mais engra&#231;ada, mais interessante, mais alinhada. A pr&#243;xima pessoa que n&#227;o ter&#225; esse defeito espec&#237;fico que estamos come&#231;ando a notar agora &#8212; o jeito de mastigar, a opini&#227;o sobre aquele filme, a forma como segura o copo.</p><p style="text-align: justify;">E se estamos na cama? Pior. Ou melhor, dependendo de como se olha. Porque durante o ato mais f&#237;sico de intimidade poss&#237;vel, parte do c&#233;rebro ainda opera no modo card&#225;pio. O pr&#243;ximo sexo ser&#225; melhor que este. A pr&#243;xima mulher ser&#225; mais bonita, mais intensa, mais presente. O pr&#243;ximo homem ser&#225; mais atento, mais criativo, mais <em>dispon&#237;vel</em> de verdade.</p><p style="text-align: justify;">Sempre o pr&#243;ximo. Sempre a pr&#243;xima.</p><p style="text-align: justify;">&#201; o que a psicologia chama de &#8220;FOMO&#8221; &#8212; <em>fear of missing out</em> &#8212;, mas eu prefiro chamar de S&#237;ndrome do Card&#225;pio Infinito. Quando tudo est&#225; dispon&#237;vel, nada &#233; suficiente. Quando tudo &#233; poss&#237;vel, o real nunca compete com o imagin&#225;rio.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">E assim vamos. De encontro em encontro, de cama em cama, de &#8220;vamos ver onde isso vai dar&#8221; em &#8220;acho que n&#227;o estou pronto para nada s&#233;rio agora&#8221;. Vamos at&#233; o fim &#8212; ou melhor, n&#227;o vamos, porque n&#227;o h&#225; fim. H&#225; apenas o pr&#243;ximo. E o pr&#243;ximo. E o pr&#243;ximo.</p><p style="text-align: justify;">O <em>outra vez</em> sempre d&#225; certo. No futuro. Na pr&#243;xima. Quando eu estiver mais maduro, mais estabelecido, mais pronto. Quando ela for menos complicada, mais leve, mais <em>f&#225;cil</em>. Quando as estrelas se alinharem e o algoritmo finalmente me apresentar A Pessoa.</p><p style="text-align: justify;">S&#243; que isso nunca ocorre.</p><p style="text-align: justify;">Porque A Pessoa n&#227;o existe na <strong>Tela</strong>. A Pessoa existe no aqui. E o aqui exige que se feche o card&#225;pio. Que se escolha. Que se renuncie &#224; infinitude de op&#231;&#245;es em troca da profundidade de uma.</p><p style="text-align: justify;">E isso, aparentemente, virou imposs&#237;vel.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">D. Pedro I, quando casou com Leopoldina, n&#227;o recebeu uma foto.</p><p style="text-align: justify;">Recebeu um quadro. Pintado. Provavelmente com ela mais bonita do que era na vida real &#8212; os retratos da &#233;poca tinham seus filtros tamb&#233;m, s&#243; que feitos a &#243;leo e com meses de trabalho. Mas era um quadro. &#218;nico. Est&#225;tico. Definitivo.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o havia o pr&#243;ximo. N&#227;o havia <em>&#8220;voc&#234; tamb&#233;m pode gostar de&#8221;</em> Maria da &#193;ustria, Catarina da R&#250;ssia, Georgina da Pr&#250;ssia ou qualquer arquiduquesa que o algoritmo da corte austr&#237;aca pudesse sugerir como alternativa. N&#227;o, o que havia era apenas, simplesmente, terrivelmente, aquele rosto que era o rosto, aquela boca que era a boca, aquelas coxas que eram as coxas por onde corria o sangue que faria o imp&#233;rio continuar, aquele colo, sobretudo aquele colo de onde sairia a linhagem, a maldita e santa linhagem, a &#250;nica linhagem poss&#237;vel de uma dinastia. </p><p style="text-align: justify;">Eles se conheceram pelo correio. Cartas que demoravam meses. Promessas que n&#227;o podiam ser desfeitas com um <em>unmatch</em>. Quando finalmente se viram, j&#225; estavam comprometidos &#8212; n&#227;o apenas pelo contrato, mas pelo tempo investido, pela espera, pela impossibilidade de alternativa.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o estou romantizando o passado. D. Pedro traiu Leopoldina. Muito. Com m&#250;ltiplas mulheres, em m&#250;ltiplos pal&#225;cios, gerando m&#250;ltiplos filhos que n&#227;o seriam herdeiros. A monogamia era um acordo pol&#237;tico, n&#227;o afetivo. Mas a diferen&#231;a &#233; reveladora: ele traiu dentro de uma estrutura. Transgrediu uma regra que existia. N&#227;o viveu num mundo onde a transgress&#227;o &#233; o padr&#227;o e a regra &#233; inimagin&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Hoje n&#227;o traimos. Simplesmente n&#227;o escolhemos. Mantemos cinco conversas simult&#226;neas, sa&#237;mos com tr&#234;s pessoas diferentes na mesma semana, dormimos com algu&#233;m enquanto o aplicativo continua instalado &#8212; <em>&#8220;s&#243; por precau&#231;&#227;o&#8221;</em>, <em>&#8220;s&#243; para n&#227;o perder o h&#225;bito&#8221;</em>, <em>&#8220;s&#243; porque voc&#234; nunca sabe&#8221;</em>. N&#227;o somos infi&#233;is. Somos permanentemente infi&#233;is &#224; possibilidade de fidelidade.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">Voltei ao bar de tapas no dia seguinte. Fui mais cedo. Pedi mais r&#225;pido. E descobri que as croquetas de jam&#243;n, na verdade, eram extraordin&#225;rias. Que a tortilha me lembrava da minha av&#243; porque ela fazia igual &#8212; mesma textura, mesmo ponto de cozimento da batata, mesmo cheiro de azeite bom. Que o pulpo, se tivesse vindo, talvez tivesse estragado tudo com sua textura borrachenta e seu sabor de mar que eu n&#227;o estava preparado para apreciar.</p><p style="text-align: justify;">Comi devagar. Bebi devagar. Desliguei o celular. Fiquei l&#225; at&#233; tarde, conversando com o gar&#231;om sobre futebol, sobre a crise, sobre como Madrid mudara. Quando levantei, estava satisfeito. N&#227;o perfeitamente satisfeito &#8212; satisfeito de verdade, o que inclui uma pontinha de saudade do que n&#227;o escolhi, mas principalmente a certeza do que tinha.</p><p style="text-align: justify;">Sai do bar e n&#227;o entrei em nenhum outro. Fui para casa. Dormi bem.</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;">A <strong>Tela</strong> &#233; nosso territ&#243;rio de in&#237;cio de prosa. Mas n&#227;o pode ser o territ&#243;rio de fim.</p><p style="text-align: justify;">A cr&#244;nica precisa de um final, mesmo que aberto. A rela&#231;&#227;o precisa de uma escolha, mesmo que errada. O card&#225;pio precisa ser fechado para que a refei&#231;&#227;o comece.</p><p style="text-align: justify;">Sen&#227;o continuamos para sempre no modo de navega&#231;&#227;o, olhando para fora enquanto a comida esfria no prato, certos de que a fome que sentimos &#233; falta de op&#231;&#245;es, quando na verdade &#233; excesso delas.</p><p style="text-align: justify;">A pr&#243;xima mulher n&#227;o &#233; melhor que essa. O pr&#243;ximo homem n&#227;o ser&#225; mais atento que este. O pr&#243;ximo sexo n&#227;o curar&#225; a solid&#227;o do anterior.</p><p style="text-align: justify;">O <em>outra vez</em> s&#243; d&#225; certo quando deixamos de acreditar nele.</p><p style="text-align: justify;">E escolhemos o <em>esta vez</em>.</p><p style="text-align: justify;">Mesmo sabendo que ele vem sem garantias. Sem matches de backup. Sem a possibilidade de deslizar para a esquerda e recome&#231;ar.</p><p style="text-align: justify;">Escolhemos. E na escolha, talvez, encontremos o que o card&#225;pio infinito nos roubou: a capacidade de ser devorados de verdade. <br></p><div><hr></div><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;"><strong>Tela criou a ilus&#227;o das op&#231;&#245;es infinitas no amor. A m&#237;dia criou a mesma ilus&#227;o na geopol&#237;tica e nos neg&#243;cios. Se voc&#234; chegou at&#233; aqui, &#233; porque percebeu que viver no modo &#8220;card&#225;pio&#8221; &#233; uma armadilha.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>Na Gazeta do Absurdo, eu aplico esse mesmo rigor para rasgar as ilus&#245;es do mundo real. Eu desconstruo as narrativas e mapeio a estrutura brutal da geopol&#237;tica, da economia e do Colonialismo 4.0.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>Feche o card&#225;pio das superficialidades. Escolha a profundidade.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>&#128073; Digite seu e-mail abaixo para assinar a Gazeta e receber ensaios que dissecam a arquitetura da realidade.</strong></p><p style="text-align: justify;"></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p></div><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Brazil Potash Corp. (GRO) ]]></title><description><![CDATA[Projeto Pot&#225;ssio no Amazonas]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/brazil-potash-corp-gro</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/brazil-potash-corp-gro</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 13 Mar 2026 16:05:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2a686f7a-2936-479c-ba2b-320e29f3aa9e_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>RESUMO EXECUTIVO</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>O M&#233;todo do Gargalo F&#237;sico</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Para: Assinantes do &#8220;Gazeta do Absurdo&#8221;</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>De: Editor Chefe Gazeta - Omar Marx Weiller Albuquerque</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Data: 13 de mar&#231;o 2026</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Assunto: Tese de Investimento com basa na tese da Economia Ciber-F&#237;sico</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Pre&#231;o Atual: US$ 3,41 (Atualizado em 13/03/2026</strong></p><div><hr></div><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><strong>&#9888;&#65039; AVISO LEGAL E DISCLAIMER</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Este relat&#243;rio &#233; fornecido exclusivamente para fins educacionais e reflex&#227;o. N&#195;O constitui recomenda&#231;&#227;o de compra, venda ou manuten&#231;&#227;o de valores mobili&#225;rios. O autor n&#227;o possui qualifica&#231;&#227;o profissional em an&#225;lise de investimentos e n&#227;o &#233; consultor de investimentos registrado. Investimentos em a&#231;&#245;es envolvem risco substancial de perda. Resultados passados n&#227;o garantem resultados futuros. Consulte um consultor financeiro qualificado antes de tomar decis&#245;es de investimento. O autor pode ter posi&#231;&#245;es nos ativos mencionados.</strong></p><div><hr></div><p style="text-align: justify;"><strong>IN&#205;CIO DE COBERTURA</strong></p><p style="text-align: justify;">Empresa: Brazil Potash Corp. Ticker: NYSE-American: GRO Setor: Materiais B&#225;sicos / Fertilizantes Data: 13 de Mar&#231;o de 2026 Analista: Mesa de Intelig&#234;ncia N&#243; A7B3F</p><div><hr></div><p style="text-align: justify;"></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yUJz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f09aefd-1b55-4794-bc3e-aa880ec7ef92_1298x678.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yUJz!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f09aefd-1b55-4794-bc3e-aa880ec7ef92_1298x678.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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(GRO) com objetivo de compra, pois o editor informa que ir&#225; investir R$ 5.000,00 (cinco mil reais) na tese. </p><p style="text-align: justify;"><br>A empresa est&#225; desenvolvendo o Projeto de Pot&#225;ssio Autazes no estado do Amazonas, Brasil. Nossa tese est&#225; ancorada em uma assimetria estrutural severa: o mercado atualmente avalia a empresa em aproximadamente US$ 194,79 milh&#245;es, enquanto a reserva mineral amazonense subjacente possui um valor intr&#237;nseco estimado superior a US$ 5 bilh&#245;es [1].</p><div><hr></div><p style="text-align: center;"><strong>Voc&#234; est&#225; lendo a vers&#227;o gratuita. Para acessar a an&#225;lise completa do CAPEX, o cronograma de financiamento e o Veredito MAL 2.0 que define se este ativo &#233; um 'Hard Stop' ou a maior assimetria da d&#233;cada, torne-se um assinante Premium.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div>
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          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/brazil-potash-corp-gro">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[The Node A7B3F, MAL, and the Foundational Thesis: The Architecture of Cyberspace]]></title><description><![CDATA[Introduction: The End of the Separation]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-node-a7b3f-mal-and-the-foundational</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-node-a7b3f-mal-and-the-foundational</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 21:12:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fwvY!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fda0af4c1-459d-430c-992d-667c9ec898b0_1254x1254.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Author: Omar Albuquerque.</p><p style="text-align: justify;">We are witnessing the collapse of a historical illusion: the separation between the physical and the digital. For two decades, we treated the internet as a parallel realm, an alternative dimension where the laws of classical economics did not apply. Today we know it was only an interlude.</p><p style="text-align: justify;">Cyberspace is not simply &#8220;the internet.&#8221; &#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-node-a7b3f-mal-and-the-foundational">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[The New Determinism: How Identitarian Theory Revives the Logic of Social Darwinism]]></title><description><![CDATA[Por - Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-new-determinism-how-identitarian</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-new-determinism-how-identitarian</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 18:17:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b4199595-163c-473b-b5e3-92db2e53b818_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">To the reader who has been following our weekly reflections, you know that I begin from the premise that we are living through a kind of &#8220;Colonialism 4.0,&#8221; as I sought to outline in the article <em>&#8220;The A7B3F Knot, Evil, and the Foundational Thesis: The Architecture of Cyberspace,&#8221;</em> published in the column <em>The Architect.</em></p><p style="text-align: justify;">If we speak of &#8220;Colonialism 4.0,&#8221; we m&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/the-new-determinism-how-identitarian">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A ironia do século XXI: quando o "antirracismo" ressucista a lógica do Darwinismo Social ]]></title><description><![CDATA[Coluna : "O Arquiteto" - Por Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-ironia-do-seculo-xxi-quando-o-antirracismo</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-ironia-do-seculo-xxi-quando-o-antirracismo</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 17:53:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9ce1ea91-39cd-467d-8004-6ea4cb2a1e37_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao amigo leitor que nos acompanha nas reflex&#245;es semanais, sabe que parto da premissa de que vivemos uma esp&#233;cie &#8220;colonialismo 4.0&#8221;, conforme busquei destacar as linhas gerais no texto &#8220;O N&#243; A7B3F, o MAL e a tese Fundadora: A arquitetura do Ciberespa&#231;o&#8221;, publicado na coluna &#8220;O Arquiteto&#8221;.</p><p style="text-align: justify;">Da&#237; que se falo em &#8220;colonialismo 4.0&#8221; preciso, ent&#227;o, buscar par&#226;me&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/a-ironia-do-seculo-xxi-quando-o-antirracismo">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[RIENTE MÉDIO — Ataque dos EUA atinge porta-drones iraniano]]></title><description><![CDATA[O comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), almirante Brad Cooper, informou em 5 de mar&#231;o que for&#231;as norte-americanas realizaram um ataque contra o porta-drones do Corpo da Guarda Revolucion&#225;ria Isl&#226;mica (IRGC), o navio IRIS Shahid Bagheri]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/riente-medio-ataque-dos-eua-atinge</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/riente-medio-ataque-dos-eua-atinge</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Tue, 10 Mar 2026 16:45:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/450731f0-9030-4e84-a615-ee44ffa99a2f_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O comandante do <strong>Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM)</strong>, almirante Brad Cooper, informou em 5 de mar&#231;o que for&#231;as norte-americanas realizaram um ataque contra o porta-drones do <strong>Corpo da Guarda Revolucion&#225;ria Isl&#226;mica (IRGC)</strong>, o navio <strong>IRIS Shahid Bagheri</strong>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!05Wy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd0eb38e5-f1de-4e0f-a81f-9f1903f67fec_1099x718.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!05Wy!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd0eb38e5-f1de-4e0f-a81f-9f1903f67fec_1099x718.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Segundo Cooper, a embarca&#231;&#227;o &#8212; um antigo navio porta-cont&#234;ineres convertido, com deslocamento apr&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/riente-medio-ataque-dos-eua-atinge">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sono do Gigante e a Idiocracia Tropical: O Brasil Diante do Abismo]]></title><description><![CDATA[Por: O Cronista - Omar Albuquerque]]></description><link>https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/sono-do-gigante-e-a-idiocracia-tropical</link><guid isPermaLink="false">https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/sono-do-gigante-e-a-idiocracia-tropical</guid><dc:creator><![CDATA[A gazeta do absurdo]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Mar 2026 15:28:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q6Ge!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49342763-b65d-44b9-90af-8de9810259d7_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q6Ge!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49342763-b65d-44b9-90af-8de9810259d7_1024x1536.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q6Ge!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49342763-b65d-44b9-90af-8de9810259d7_1024x1536.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q6Ge!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49342763-b65d-44b9-90af-8de9810259d7_1024x1536.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q6Ge!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F49342763-b65d-44b9-90af-8de9810259d7_1024x1536.png 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>A guerra n&#227;o come&#231;a com o primeiro tiro. Come&#231;a com a primeira mentira aceita como verdade absoluta.</p><p>Enquanto o mundo se contorce nas dores de um parto monstruoso &#8212; uma poss&#237;vel Terceira Guerra Mundial que j&#225; n&#227;o &#233; mais sussurro, mas murm&#250;rio constante nos corredores do poder &#8212; o Brasil dorme. N&#227;o o sono justo dos inocentes, mas o torpor narc&#243;tico de uma&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://agazetadoabsurdo.substack.com/p/sono-do-gigante-e-a-idiocracia-tropical">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item></channel></rss>